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Ricardo Salgado: “O BES não tem nenhuma relação privilegiada com a Ongoing”

Ricardo Salgado: “O BES não tem nenhuma relação privilegiada com a Ongoing”
O presidente do BES garantiu que o banco considera importante que sejam grupos portugueses a controlar as empresas de media e que tem apoiado a Ongoing como apoiou outros grupos.
domingo, 29 novembro -0001 23:23
"Não há nenhuma relação privilegiada com a Ongoing. O BES esteve ao lado do Dr. Balsemão quando lançou a SIC, onde manteve uma participação alguns anos", disse Ricardo Salgado.
"Não era nossa intenção sermos donos de grupos de media", assegurou, sublinhando que a missão do BES é "promover e apoiar os empresários e as empresas".

Ricardo Salgado diz que "é fundamental que as empresas de media estejam em mãos portuguesas", recordando que o banco num passado recente foi accionista do DN, no âmbito de um processo de reestruturação.
"A Ongoing é mais uma empresa que se lançou no sector dos media. É um grupo dinâmico e com muita iniciativa. Comprou o Diário Económico que era de accionistas espanhóis e depois de italianos, lançou agora o Brasil Económico que pode ser um factor para apoiar as empresas portuguesas que desenvolvem actividades no Brasil", referiu.

"O Dr. Nuno Vasconcelos é descendente de um fundador do grupo Impresa, é afilhado do Dr. Balsemão, por isso, tem origem nos media", comentou.
"A nossa missão não é estarmos ligados aos media. Apoiámos o grupo de Joaquim Oliveira na compra da Lusomundo e é preciso lembrar que havia interesses estrangeiros".

A OPA da Media Capital e o apoio dado a Miguel Pais do Amaral também foram realçados por Ricardo Salgado.
Quanto ao investimento feito pela Portugal Telecom nos fundos da Ongoing, Salgado lembrou o acordo estratégico estabelecido em Abril de 2000 entre a PT, o BES e a CGD, que criou "uma estabilidade accionista portuguesa importante", defende.

"O grupo Ongoing juntou-se e também apoiou a PT contra a OPA [lançada pela Sonaecom] que teria acabado com a participação que a PT tinha na Vivo [Brasil], que acabaria vendida provavelmente à Telefónica", frisou.
Sobre os mais recentes acontecimentos que agitaram a PT, Ricardo Salgado louvou as declarações de Henrique Granadeiro, 'chairman' da operadora, dizendo que o responsável teve "uma posição impecável, em linha com o que é a boa governança nas grandes empresas cotadas".

"Como disse Henrique Granadeiro, não foi nem irregular, nem ilegal [o investimento de 75 milhões de euros da PT nos fundos da Ongoing]. Se houver alguma prática menos correcta esta deve ser corrigida para o futuro", considerou.
Levado a fazer um comentário sobre o pedido de demissão de Jorge Tomé, gestor que representava o banco público no Comité de Investimento da PT, Salgado escusou-se a comentar.

"Sobre juízos de valor comportamentais não sou a pessoa indicada para o fazer. Esse assunto, se existir, deve ser discutido pelo conselho da PT", afirmou.
Quanto à OPA lançada pela Ongoing sobre a Media Capital, o presidente do BES invocou a ética bancária, dizendo que "as relações bancárias não devem ser divulgadas pelos banqueiros".

Fonte: Lusa

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