A Europa-América vira a página com a EA/CZ Editora

A Europa-América está de regresso, depois de ter saído do mercado editorial em 2019. A EA/CZ Editora é a responsável por este regresso, que inclui uma nova identidade visual, da autoria da FBA. A Briefing foi conhecer todas as novidades com o responsável do grupo editorial, Alexandre Rezende.

A Europa-América vira a página com a EA/CZ Editora

Em 1945, esta chancela surgiu com o objetivo de editar autores desconhecidos do público português e democratizar o acesso ao livro. Foi com a mesma intenção que, após uma pausa de quatro anos, a marca volta com um novo catálogo e a intenção de promover a literatura, tal como diz Alexandre Rezende.

Esta aquisição faz parte do projeto da EA/CZ, que, brevemente, vai lançar outras marcas dedicadas à literatura infantil e à não-ficção. Para impulsionar a insígnia, a ideia é estabelecer as “parcerias certas” que permitam “entregar aos leitores um produto de qualidade e criar uma relação de confiança”, escolhendo os melhores escritores, designers, consultores editoriais, entre outros.

De forma a fazer uma rutura com o seu passado, o foco passa pela publicação de literatura contemporânea. “Publicaremos as histórias do nosso tempo para os leitores de hoje”, afirma. “Seremos ousados na publicação de livros que outros não publicam”, acrescenta. Tendo em conta que esta é uma editora pequena entre grandes grupos editoriais, a preocupação prende-se na dignificação de todos aqueles que fazem parte da criação de um livro, nomeadamente os autores, tradutores e revisores.

O livro selecionado para este regresso é “Eu matei um cão na Roménia”, da escritora peruana Claudia Ulloa Donoso. Esta escolha deve-se ao facto de a mesma ser considerada uma das melhores escritoras da América Latina com menos de 39 anos, e a obra abordar temas como a depressão, a solidão, a imigração, a dificuldade em comunicar e a falta de empatia.

Este relançamento vem acompanhado por uma atualização gráfica que, tal como explica a designer Ana Boavida, parte do anterior desenho. “O monograma, formado pelo ‘E’ de Europa e pelo ‘A’ de América, resulta num corpo que, por ser feito de duas partes desiguais, se consegue ler e ver de várias formas em simultâneo: ora uma metade, ora outra, ora o todo coeso conseguido pela soma das duas”, afirma. “As linhas diagonais do monograma transitam para o design das capas e permitem justapor diferentes fotografias em cada capa, criando assim novos sentidos pela sua convivência, e fazê-lo de forma visualmente dinâmica, pretendendo tornar o desenho das capas vivo e intrigante”, complementa.

À Briefing, é revelado que as estratégias de comunicação que estão pensadas vão ter como foco o digital, com recurso a campanhas de divulgação da marca e das obras, à medida que forem lançadas. No seguimento deste caminho, haverá uma aposta nos influenciadores digitais. Além disso, vão ser desenvolvidas iniciativas específicas de ativação junto dos consumidores.

Quando questionado sobre quais os planos para o futuro, foi dito que esta primeira fase passa por dar a conhecer novos autores inéditos em Portugal sendo que, até ao final do próximo ano, vão ser publicados 12 livros. No que diz respeito à publicação de novos talentos portugueses, isto deverá ocorrer em 2025.

“Queremos que os leitores nos reconheçam como uma editora que, hoje tal como no passado, arrisca e aposta em autores e livros de qualidade”, conclui.

Simão Raposo

Segunda-feira, 04 Dezembro 2023 12:37


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