A opinião de… Carlota Varela Cid

A Marketing & Communications Director da CBRE Portugal comenta a necessidade – e a dificuldade – em estar a par de todas as tendências, identificando as três que são imprescindíveis.

A opinião de... Carlota Varela Cid

Muitas vezes questiono-me sobre quais as tendências que, como marketeer, tenho obrigatoriamente que acompanhar. Há sempre uma espécie de receio latente de ficar para trás. De não ter a capacidade necessária – ou o tempo – para acompanhar a crista da onda da digitalização, da disrupção, dos novos modelos de inovação. São tantos “ãos” que só me apetece dizer “ai”. Afinal também não. AI agora é a sigla de inteligência artificial… Também não posso dizer “ai”. 

Para quem gere equipas e agências, desenvolve planos de marketing e faz o respetivo roll-out, monitoriza o budget e analisa os reports, ajusta os KPI e enfrenta os desafios do dia a dia no contexto empresarial, é difícil acompanhar e até dominar a mudança. Neste sentido, tal qual lista de supermercado, reuni as três tendências que não podem mesmo ficar fora do carrinho.

  1. A perceção sobre a inteligência artificial: Um dos maiores desafios da inteligência artificial será a perceção do público sobre a própria inteligência artificial. Depois de vários anos a ser impactados com filmes em que os robots se viram contra a humanidade, é inevitável que olhemos para os riscos da IA com precaução. Cada vez há mais produtos B2C a incorporar IA mas no segmento B2B onde profissionais lidam com profissionais, o medo de errar é um bloqueio. Ao longo deste ano e do próximo, a IA tornar-se-á cada vez mais precisa e os bots, cada vez mais, terão capacidade de criar engagement com os utilizadores e proporcionar-lhes uma experiência consistente. Então, é necessário retirar a IA da caixa negra para percebê-la, ganhar confiança e experiência nas ferramentas que vão surgindo e adotá-las mais cedo do que tarde, pois o early adoption será um fator crítico no sucesso das organizações.
  2. Mudança nos padrões de compra: É certo que no decorrer dos próximos anos os consumidores escolherão produtos e serviços que maximizem o impacto, a utilidade e a conveniência. Porém, o padrão de compra privilegiará também a credibilidade e a visão de longo-prazo. A única forma de responder a este padrão será ir ao encontro do consumidor tendo a capacidade de entregar produtos e serviços distintivos e ambientalmente responsáveis num contexto onde os critérios de seleção são cada vez mais exigentes e onde se procuram criar relações emocionais duradouras com as marcas. 
  3. Aceleração do impacto “phygital”: Se o Covid-19 foi um fator de aceleração na transição de experiências físicas para digitais, em 2022 assistimos ao regresso dos consumidores às suas experiências físicas. Experiências essas que muitos consideravam já obsoletas e um vislumbre do passado não tão distante. Contudo, essa presença física das marcas tem sido um gerador de buzz e altamente impactante em 2023 e prevê-se que assim continue. As marcas de moda no segmento luxo invadiram beach-clubs (veja-se o exemplo da portuguesa Farfetch no METT Hotel and Beach Resort em Bodrum), as tecnológicas abriram as suas mais impressionantes flagships e em B2B as marcas voltaram a apostar na entrega de experiência aos seus clientes como fator de fidelização. Entregar uma experiência seamless no ecossistema digital é obrigatório, mas criar um efeito wow no mundo físico é o que melhor posicionará as marcas, permitindo-lhes comunicar a sua mensagem com impacto e tornando-as realmente diferenciadoras. 

Haverá certamente muitas outras tendências e é possível que em poucos meses este texto esteja desatualizado. Porém, num mundo em que a rapidez marca o momento e a mudança é, de facto, a única constante, os marketeers devem estar atentos e encontrar tempo para refletir sobre o que podem mudar, o que podem incorporar e acima de tudo onde podem inovar. Entender as três tendências acima mencionadas permitir-nos-á trabalhar para posicionar e elevar o grau de notoriedade das nossas marcas na atualidade, mas é importante manter presente que a finalidade única de tudo isso é gerar valor com propósito.  

Carlota Varela Cid, Marketing & Communications Director da CBRE Portugal

Quarta-feira, 14 Fevereiro 2024 12:48


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