A opinião de… Deborah Gray

A fundadora e Managing Director da Canela, Deborah Gray, analisa o contributo da comunicação na economia regenerativa.

A opinião de... Deborah Gray

Temos de ser claros: a comunicação é uma ferramenta chave para o fortalecimento da economia regenerativa. Muitas empresas podem ter dúvidas sobre como participar, que valores podem aportar e que iniciativas poderiam pôr em marcha, mas é necessário que compreendam que algo que não se comunica, não existe.

Comunicar serve para inspirar. Quando uma empresa demonstra que já está a agir dentro de padrões sustentáveis, adota o papel de modelo para outras organizações e contribui para tornar a sociedade mais consciente da necessidade de promover uma forma mais justa de gerir a economia.

Encontrar o canal adequado

Há um apetite crescente por notícias sobre marcas que fazem parte da economia circular, mas em comparação com outros países, Portugal e Espanha estão ainda alguns passos atrás. Os meios de comunicação têm sido uma ferramenta fundamental para chegar ao público e é importante colaborarmos para direcionar a sua influência a favor de questões relacionadas com uma nova forma de fazer negócios.

Há já alguns anos que a estes meios de comunicação mais “tradicionais” se juntaram novos canais, como as redes sociais, que chegam a um público mais jovem, com sensibilidades diferentes e que serão, em grande medida, responsáveis pela continuidade da gestão de todos os recursos. Além disso, a natureza audiovisual destas redes permite ilustrar, de forma clara e apelativa, o impacto de ações positivas neste âmbito e divulgá-las eficazmente. É apaixonante o que a combinação dos meios de comunicação social e das redes sociais pode oferecer para mudar os hábitos de consumo.

A combinação de veracidade e emoção 

Mais do que em qualquer outra área, comunicar sobre sustentabilidade, economia circular e consumo responsável é sinónimo de transparência e honestidade: tudo deve ter como base a implementação de iniciativas que tenham um impacto positivo verificável. Tendo isso em mente, a comunicação é a ferramenta perfeita para narrar de forma inspiradora a iniciativa em questão, criando espaço para questões de importância vital para a sociedade nos meios de comunicação.

O storytelling acima referido desempenha um papel central. Dissemos que “o que não é comunicado, não existe”, mas também é verdade que o que não é comunicado através de uma narrativa simples, honesta e emocional perde a força e acaba por se perder no meio de toda a informação diariamente partilhada. E aqui entra em jogo uma grande contradição: temos de nos basear na realidade, em dados, mas contá-los apelando aos sentimentos. Só assim as pessoas compreenderão a importância de apostar em alternativas regenerativas, mesmo que estas sejam mais dispendiosas.

Depois do término do projeto, é importante estabelecer as bases para iniciativas futuras que deem continuidade à estratégia da marca ao longo do tempo. Procuremos ser realistas a curto prazo, medir resultados, melhorar onde é possível e celebrar momentos de vitória. Em suma, a sustentabilidade não é apenas um mero marco que uma empresa atinge e depois esquece; é um objetivo contínuo que deve guiar a estratégia de qualquer organização.

A economia regenerativa significa afastar-se do modelo de negócio extrativo e libertar o potencial de contribuições positivas para a natureza e a sociedade. Há ainda um caminho por percorrer, mas estamos certos de que, se queremos que o mundo mude, temos de começar por nos inspirar em casos reais e positivos.

Deborah Gray, fundadora e Managing Director da Canela

Quinta-feira, 18 Janeiro 2024 11:15


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