A opinião de… Luana Gouveia

A consultora de Comunicação defende a importância dos fãs como um público que deve estar no radar das Relações Públicas.

A opinião de... Luana Gouveia

Sou sincera, o termo fangirls não é do meu maior apreço, na verdade fãs têm vários géneros, várias caras e uma emergente importância no futuro da comunicação das marcas. Os primeiros estudos sobre fãs e fandoms (grupos de fãs) datam do final da década de 1880 e início da década de 1990 e descrevem os fãs como vozes marginalizadas que desafiam os media e a indústria da comunicação. Ao longo dos anos, toda a dinâmica dos fãs foi mudando, e mesmo que o termo fã continue a ser visto como maioritariamente feminino, é importante reconhecer que estes continuam a contribuir para a compreensão do seu “poder” com um grande foco no potencial que têm para as Relações Públicas (RP) e comunicação. É claro que o pensamento automático quando pensamos em fãs é de músicas e artistas, a verdade é que o espectro de fãs vai muito para além até fãs de desportos, fãs de livros, fãs de marcas, etc.

O papel dos fãs tem vindo a mudar ao longo dos anos, e essas mudanças são especialmente afetadas pelo desenvolvimento das redes sociais e da internet, bem como pelas transformações que acontecem nos media tradicionais. Estes fãs tornaram-se indispensáveis, pois a sua influência na comunicação está sempre a aumentar. Eis alguns pontos que sabemos sobre fãs:

  • O uso das redes sociais é crucial na construção de uma sensação de intimidade, pois às vezes proporciona interações significativas entre o público e marcas, e celebridades.
  • Os fãs usam, com sucesso, redes sociais para aumentar a consciencialização sobre causas que são próximas ao coração da sua marca/celebridade favorita. Isto é possível acontecer com o uso de redes sociais para comunicar com outros fãs e mobilizá-los para a ação social e de solidariedade. Exemplo disso são marcas sensibilizarem para a doação de sangue, que para além de ser uma ação nobre também é uma que funciona maravilhas para a gestão da reputação.
  • São muito dedicados e versados sobre os setores onde o objeto do seu afeto atua, o que pode significar que no futuro se possam tornar profissionais da indústria.
  • O comportamento positivo (e às vezes negativo) dos fãs pode impactar diretamente a perceção do público sobre seu objeto de afeto. Isso pode significar boa ou má reputação para a marca ou celebridade.
  • São amplamente conhecidos por serem uma base económica que investe.
  • Criam contas, blogs e até merchandising para expressar e partilhar a sua paixão. Isso ajuda a espalhar a palavra e, às vezes, a informação espalhada por esses fãs acaba ‘pegar’ melhor do que a informação que vem de meios.

Os fãs sempre estiveram na vanguarda das transformações da indústria dos media e o seu poder é tão grande que fazem esforços como promoção, crowdfunding, votação em massa para prémios e eventos, doações para organizações, bem como angariação de fundos para estas. Isto demonstra compaixão e um sentimento de responsabilidade, algo que acaba por gerar feedback positivo e contribuir para o reconhecimento positivo e reputação da própria marca/celebridade. 

Neste sentido, as marcas devem começar a tomar decisões criativas baseadas em agradar, também, estes fãs – não apenas os que consomem, mas também os que espalham a palavra. A emergência deste público mais interativo permite que apareçam plataformas que analisam o seu envolvimento, plataformas estas que ajudam as marcas a melhorar a sua comunicação. 

Os fãs, com um conhecimento quase ilimitado no que toca a compreender como gostam que as marcam comuniquem com eles e outros, estão a tornar-se profissionais da indústria da comunicação porque são exatamente isso, fãs, e sabem quando, onde e como comunicar com outros fãs para uma maior eficácia – todas estas razões comprovam que este público específico e dedicado deve estar sob o radar das Relações Públicas.

Luana Alexandrino Gouveia, consultora de Comunicação

Quinta-feira, 11 Janeiro 2024 10:33


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