A opinião de… Pedro Barbosa

O CEO da Wise Pirates defende, neste artigo, que as equipas holísticas que envolvem a equipa interna do cliente são um aspeto crítico no novo ecossistema martech, apontando sete tendências de marketing.

A opinião de... Pedro Barbosa

Num mundo onde a incerteza é certa, estar preparado para os desafios implica saber misturar navegação estratégica com navegação à vista – como lhe chamamos – mas também considerar o digital e data finalmente no epicentro da empresa. 

Este será o ano onde equipas holísticas que envolvam a equipa interna do cliente e long-term boutique partners serão um must crescente. É um aspeto crítico no novo ecossistema martech, garantido o conhecimento profundo do negócio por parte dos parceiros e uma capacitação em digital mais profunda por parte das equipas internas. Esta será talvez a maior evolução no ecossistema de marketing digital. 

Quanto às tendências que poderemos observar ao longo do ano, destacaria: 

1) AI omnipresente 

Algoritmos com Machine Learning começam a tornar-se mainstream. Em 2023, a Inteligência Artificial vai explodir e os marketers que quiserem evoluir têm de compreender o seu novo papel num mundo onde a analítica e tecnologia se integram com os conceitos de marketing de uma forma nunca antes vista. Saber automatizar análises de dados e ativação de campanhas, com gestão avançada de feeds e scripting de acompanhamento das ações é um must no tempo de real-time martech. 

2) Buy Now, Pay Later 

Já cresceu em 2022, mas é em 2023 que o conceito “Buy Now, Pay Later” se vai tornar democratizado, talvez porque os consumidores apreciam este meio facilitado de ir pagando ao longo do tempo o que compram agora. Este conceito facilitador retira ansiedades e fricções, e acelera a conversão. 

3) Video for performance 

Apesar do crescimento do formato vídeo, continua a existir um gap que abre oportunidades muito relevantes para as marcas, em particular nos formatos snack, short e live. Já não é possível continuar fora destes formatos e ignorar que Youtube, Instagram e TikTok lideram o tempo dos consumidores online, abrindo espaço para os micro-momentos em que a oportunidade de engagement é maior, também para conversão e performance. Este será o ano em que as marcas têm de resolver as suas limitações e adotar o video at the core, agora focadas também nos formatos de conversão. 

4) GA4 e First-party strategy on steroids 

Com as crescentes preocupações quanto à proteção e partilha de dados dos utilizadores, assim como com a cibersegurança, este tema ganha uma nova força. Existem vários exemplos disso, como a quase “obrigatória” implementação de Google Analytics 4 ou o crescente uso de plataformas de CRM e CDP, que potenciem marketing automation 100% compliant com RGPD. Uma estratégia de first-party data tem um papel crucial nesta questão da proteção de dados, além de que esta é tipicamente a forma mais eficaz de ligar aquisição com retenção e personalização que sustentam CLTV. 

5) Connected TV + DOOH 

Chegou o ano em que online e offline estão integrados na cabeça do consumidor como canais que potenciam o máximo da conveniência e experiência. Há um desafio grande para as marcas omnicanais, que continuam sem resolver a medição da integração entre offline e online. Esta é a oportunidade de investir em digital para influenciar todos os canais e começar a usar plataformas avançadas como Dv360, e canais digitais para ativar outros mais tradicionais como televisão ou Out Of Home (DOOH), a partir de agora integráveis a partir dos digital partners mais avançados do mercado. 

6) Retail Media 

Considerada a “3ª onda de Digital Advertising”, o Retail Media permite às marcas comunicar de forma hipersegmentada e proprietária (no site/app do retalhista). Os maiores retalhistas passarão a ser media players, concorrendo com os maiores placements de ativação digital incorporando em real-time dados de consumo que mais ninguém tem sobre micro-segmentações e comportamentos hiper personalizados e ainda a ligação aos digital placements em lojas físicas. Este pode muito bem ser o primeiro ano de um negócio que em 2030 será altamente relevante na indústria adtech. 

7) AR & Social Commerce 

A realidade aumentada, com a pandemia, aproveitou a oportunidade para crescer de forma acelerada. Dos filtros de Instagram ou TikTok, às experiências imersivas, a ponte entre AR e social commerce será mais curta do que parece, e a integração do fundo de funil nas redes será também mais imediata do que podemos prever. O social commerce vai disparar para até 6% das vendas de e-commerce no retalho, em complemento a e-commerce em canal próprio e aos marketplaces. 

Se os últimos anos nos têm surpreendido com contratempos compostos por conflitos, pandemias ou inflação inesperada, tentar prever 2023 pode parecer contraproducente. Saber navegar nesta incerteza implica estar preparado para um digital contemporâneo que mistura negócio, tecnologia, marketing e data, sem esperar milagres imediatos e consciente da escolha certa nos cocktails de métricas para a evolução, com equipas híbridas, parceiros certos, soluções holísticas e com a experiência sempre no centro da agenda.

Pedro Barbosa, CEO da Wise Pirates

Quarta-feira, 20 Dezembro 2023 13:29


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