O anúncio foi feito no âmbito das comemorações dos dez anos desta cervejeira artesanal criada em Vila Verde, Braga, pelos dois amigos recém-licenciados em Engenharia. Recordam que foi em 1997 que este mercado começou a fermentar, beneficiando da dinâmica de outros projetos empreendedores, todos nascidos a norte.
Na altura, o desafio era o de criar apetência para este tipo de cervejas, mas atualmente – dizem os fundadores da LETRA – a dificuldade está em penetrar num mercado dominado por dois grupos. “O nosso trunfo é a qualidade, mas, por isso, o preço também é mais elevado, pelo que fica difícil competir”, comentam.
Para assinalar estes dez anos, a LETRA lançou uma edição comemorativa – em lata, por entenderem que “é o melhor recipiente para a cerveja, embora em Portugal ainda exista algum preconceito”.
Esta edição vem juntar-se às sete cervejas do portefólio fixo – de A a G, com perfis e intensidades diferentes. Porquê as letras? “A marca foi criada com um intuito pedagógico. Tal como quando se aprende a ler – letra a letra”, partilha Francisco Pereira. Além destas, todos os meses saem da LETRA pelo menos duas cervejas irrepetíveis. Sempre com lúpulo produzido em Vila Verde, com a intenção de recuperar uma tradição da região. Aliás, esta proximidade à terra é – dizem os dois sócios – um dos elementos diferenciadores da empresa, que procura manter a logística o mais local possível, num posicionamento de sustentabilidade.
E, se nos primeiros dez anos, a missão era cultivar a cultura da cerveja artesanal, a par de comunicar a marca, agora o objetivo é expandir a LETRA. E, para isso, vai abrir a primeira Letraria fora da “zona de conforto”: será em Óbidos e vem juntar-se às de Vila Verde, Braga, Ponte de Lima, Porto e Viana do Castelo.
Estes espaços são “plataformas de convite a experimentar a cerveja artesanal”, neles se evidenciando o potencial gastronómico da LETRA. E foi precisamente esse o objetivo do almoço que trouxe Filipe Macieira e Francisco Pereira a Lisboa: um almoço harmonizado com as suas cervejas, pelo chef Habner Gomes, do restaurante japonês Mattë.
Fátima de Sousa




