Eles são millennials. Mais ou menos.

Paula Cordeiro, InvestigadoraTenho conhecido muitos millennials ao longo do tempo e posso afirmar, mesmo sem qualquer informação para além da observação empírica e da minha memória, que sou mais millennial do que a maioria deles.

Está na moda dirigir a nossa comunicação aos millennials. São conhecidos por estarem sempre online, hiperconectados e em movimento. Mas não estão. Não são. Vários estudos indicam que apenas metade admite estar online a maior parte do dia. O que será mais do que a maior parte das pessoas das outras gerações. Verdade. Embora eu esperasse mais…

Falamos com eles nos sites de redes sociais mas é o correio electrónico a sua principal actividade online. Apostamos árdua e vivamente no Facebook quando já estão saturados e frustrados com este site social, dispersando-se cada vez mais entre redes.

O desafio é claro porque representa um corte com o paradigma que os que não são millennials criaram para a comunicação. Vêem-se, repentinamente, perante um leque de opções que não sabem como ou quando usar.

A questão piora porque muitos destes millennials são também geração X por empatia e comportamento, reproduzindo os hábitos que conhecem lá de casa, vendo televisão em directo ou ouvindo rádio no carro, quando (e se) conduzem. Mas também são estes os que se ficam pelos títulos com os quais se cruzam nos sites de redes sociais, sem que isso signifique Facebook. No incessante Twitter há de tudo; o efémero Snapchat já tem notícias e não faltam vídeos no Instagram com os temas e estórias impossíveis de ignorar. Tudo isto sem pagar pelo acesso aos conteúdos, produzidos por X’s desesperadamente à procura de novas formas de rentabilização, da criação de laços com uma nova geração que só é fiel a si própria e que, simultaneamente, lê jornais gratuitos que se distribuem na cidade, que contam um misto de estórias e notícias, entre aquilo que é preciso, o queremos e o que precisamos saber. Para esta geração não existem modelos, momentos ou departamentos estanques. As notícias misturam-se com o fluxo de mensagens que trocamos em grupos no WhatsApp ou os comentários às publicações que vamos acompanhando nos sites de redes sociais: YouTube à cabeça, Instagram e outros locais em que se perdem (nos perdemos?) que variam consoante o país e a localização.

A notícia somos nós, não só porque nos colocamos no centro da notícia como por nos termos transformado em centros de (re)distribuição daquilo que produzem os meios instituídos, ou aqueles que teimosamente continuamos a apelidar de novos. Na verdade, blogues, vlogues ou podcasts são tudo menos novidade, muito embora estes millennials os tenham trazido de volta à ribalta.

São também estes millennials que ficam a conhecer a música que os amigos recomendam e que se ligam ao YouTube como quem liga a rádio. Da rádio pouco ou nada sabem, confundem operadores e menosprezam apresentadores. Mas seguem reality shows e concursos de talentos que comentam nos sites de redes sociais, ao mesmo tempo que aplaudem a mais recente estrela no YouTube ou colocam um coração no instagramer do momento.

O segredo não é estar em todo o lado. O segredo é saber estar.

Quinta-feira, 10 Dezembro 2015 10:28


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