Gonçalo Nascimento: “Queremos manter o crescimento acima do mercado”

É com confiança e otimismo que o Country Coordinator da L’Oréal Portugal, Gonçalo Nascimento, encara o futuro. O crescimento a duplo dígito, em 2022, e os primeiros meses deste ano oferecem boas perspetivas para a ambição de manter os resultados acima do mercado.

Gonçalo Nascimento: “Queremos manter o crescimento acima do mercado”

Briefing | Quanto vale o mercado português para a L’Oréal?

Gonçalo Nascimento | Não divulgamos números concretos, mas posso dizer que é um mercado em crescimento, que cresceu a duplo dígito, no ano passado. E que se mostra bastante dinâmico, não só porque o consumidor, depois dos confinamentos, estava ávido de voltar a consumir, como porque os retalhistas se transformaram, até com a entrada de novos players em Portugal. Além disso, temos um canal e-commerce, que está a crescer a um ritmo muito forte, embora ainda ligeiramente abaixo da média Europeia.

A L’Oréal cresceu mais rápido que o mercado. Cada uma das quatro divisões em que o grupo é organizado – mass market, luxo, profissional e a recentemente rebatizada como dermatologic beauty (a antiga cosmética ativa) – está a crescer, em Portugal, e a um ritmo superior ao mercado. Três das quatro cresceram acima do mercado, no ano passado, e uma ficou alinhada com o mercado, embora crescendo, e que tenha uma quota de mercado e que lhe permita ser líder: o mass market. Tem a ver com a entrada de novos players internacionais, que trazem consigo marcas de distribuição. De resto, todas as outras divisões estão a crescer a duplo dígito em Portugal, o que faz com que estejamos contentes com a performance do ano passado. O primeiro trimestre também arrancou muito bem.

Estes resultados seguem a tendência global?

Globalmente, os resultados do ano passado foram muito fortes. Foi um ano excecional para o grupo, com as vendas a ascenderem a 38 mil milhões de euros, com crescimento de 18,5%, quase o dobro do que o mercado da beleza cresceu a nível mundial, portanto, ganhando claramente quota de mercado. Se compararmos like for like, o crescimento do grupo foi de 11%, portanto também bastante acentuado.

A que atribui esse crescimento?

O nosso CEO deu três pistas para este crescimento: balanceado, responsável e “ahead of the curve” – porque neste mundo VUCA, de grande instabilidade, a L’Oréal conseguiu transformar-se para continuar a liderar o futuro da beleza. Foi uma mudança a nível da organização, muito acelerada em data e inteligência artificial, e na forma como trabalhamos, que acompanha a transformação da sociedade. E prepara-nos para o futuro.

O nosso sucesso resulta das nossas equipas, do nosso portefólio de marcas – acreditamos que temos o melhor e mais equilibrado portefólio de marcas de beleza – e do nosso modelo estrategicamente e operacionalmente centralizado, que nos permite ser empreendedores. Temos uma visão global, e uma ativação local, que se adequa a cobrir as várias necessidades dos mercados. Além disso, lideramos a inovação no mercado da beleza. Os mais de mil milhões de euros investidos em investigação e desenvolvimento (3,3% do nosso resultado investido em investigação) permitem-nos estar ahead of the curve. E depois, somos ágeis e fortes na execução.

O primeiro trimestre deste ano foi muito encorajador, com um resultado de 14,6%, também ele acima do mercado, e like for like de 13%. A divisão mass market teve um forte dinamismo, em Portugal e no mundo, o que nos permite estar preparados para o resto do ano também.

Estão, portanto, no bom caminho para cumprir as metas estabelecidas para este ano?

Sem dúvida, e se possível ir mais além.

Internacionalmente, a unidade de luxo ultrapassou a de mass market. Em Portugal, como é que se comportam as duas divisões? O foco estará nesse segmento?

Efetivamente, no ano passado, a divisão de luxo da L’Oréal foi a que apresentou o maior peso de contribuição para o negócio. No início deste ano, essas duas divisões estão em competição interna, saudável. Em Portugal, a divisão de mass market é a maior, historicamente e continua a ser. Esta é, aliás, uma das poucas diferenças que temos relativamente ao peso global. As outras três divisões apresentam pesos muito semelhantes entre si. É de destacar que a divisão profissional em Portugal tem um peso bastante superior à média do grupo e que a L’Oréal Dermatological Beauty (LDB) apresenta um ritmo de crescimento mais forte do que as restantes, tanto em Portugal como a nível mundial. Um ritmo fantástico. Se todos apresentam um ritmo a duplo dígito, a LDB apresenta um ritmo a duplo dígito, sendo que o dígito a da esquerda é maior do que dois. A divisão de luxo é a que apresenta a maior dinâmica, nomeadamente com a entrada em Portugal de players internacionais.

Categorias de maior valor acrescentado e maior personalização, como make up ou skincare, têm menos peso face, por exemplo, a Espanha. Mas, à medida que há uma mudança geracional em Portugal começamos a acompanhar o que se passa no resto da Europa. Mas ainda não demos esse passo. A categoria de hair care ainda assume um peso muito preponderante, sendo vendida em mass market e profissional, daí o peso mais significativo destas divisões.

Sofia Dutra

Leia a entrevista na íntegra na edição impressa de agosto de 2023.

Quarta-feira, 15 Novembro 2023 13:21


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