Na Trindade, serve-se a arte de bem petiscar. Que #ProvamosEAprovamos

Colocar turistas a comer jaquinzinhos com arroz de tomate? Foi uma vitória para o chef Alexandre Silva, à frente da reinventada Cervejaria Trindade e que, para assinalar um ano da reabertura, criou uma carta de petiscos. Petisquemos, pois!

Na Trindade, serve-se a arte de bem petiscar. Que #ProvamosEAprovamos

É no átrio, no balcão e na esplanada da “rua azul” que a petiscaria mostra o seu melhor, numa abordagem que é, ao mesmo tempo, de modernidade e de tradição.

À Briefing, Alexandre Silva explica que o menu teve como pressuposto o que se espera quando se entra numa cervejaria: marisco, um croquete, um pastel de bacalhau, pica-pau e, claro, cerveja.

Na Trindade, serve-se a arte de bem petiscar. Que #ProvamosEAprovamos

E assim se desenhou uma carta exclusiva de petiscos. Mas, os clientes acabaram por colocar um desafio: quem estava no restaurante queria a carta da petiscaria e quem estava na petiscaria pedia pratos da carta do restaurante. Houve que fazer uma espécie de intercâmbio entre as duas ofertas, num mix que, assim, permite agradar a toda a gente, dando acesso a tudo o que significa a Trindade.

A par deste cruzamento, outras questões se colocavam ao chef: como fazer diferente sem ser diferente, isto é, sem desvirtuar a tradição da cervejaria, como introduzir novos apontamentos nos pratos sem interferir com a sua história. As gambas à guilho são um bom exemplo da solução encontrada: aqui, servem-se salteadas com malagueta e gengibre. “Têm o mesmo ADN, são o retrato abstrato das gambas à guilho, mas foram-lhe adicionados ingredientes que conferem frescura e um toque de picante ao molho. Por um lado, sinto que estou a comer gambas à guilho, por outro, sinto que é diferente”, concretiza. A prova confirmou esta dualidade.

Desde que assumiu a cozinha da Trindade, Alexandre Silva sempre se preocupou em respeitar a herança, mas, simultaneamente, introduzir algumas disrupções na carta. “São coisas que nunca pensei que fosse possível implementar num restaurante com 400 lugares que trabalha desde o meio dia até as pessoas se esquecerem das horas”, comenta.

A Petiscaria não é exceção. E um dos exemplos que comprova que é possível é “um prato simples que qualquer pessoa faz em casa” – jaquinzinhos com arroz de tomate. “Foi uma vitória”, partilha, mostrando-se particularmente por conseguir “colocar turistas a comer este prato”. Não podíamos deixar de provar e quer o peixe, quer o arroz – caldoso, solto, com o sabor fresco do tomate – estavam no ponto.

Pela mesa passou igualmente a tiborna de bacalhau. Uma inspiração ribatejana, ou não fosse esta a região de origem do chef. Alexandre Silva nota que a tiborna não se servia habitualmente nas cervejarias lisboetas, mas era um clássico das tabernas ribatejanas. Agora, serve-se na Trindade, em lascas gulosas.

Entre os pratos que transitam da carta principal para o menu de petiscos está o polvo, Na Sala Maria Keil é servido à lagareiro, na Petiscaria é uma entrada – grelhado no josper com tomates marinados com óleo de salsa e gaspacho de amêndoa. Este fica para a próxima prova.

Para encerrar esta incursão, nada melhor do que pica-pau. Um clássico das cervejarias, aqui servido numa dose menor, naturalmente, mas com a carne bem acompanhada de um molho voluptuoso que convidava a molhar o pão.

De toda esta carta, Alexandre Silva admite que nutre algum carinho pelo bacalhau e pelo polvo, mas rejeita que haja estrelas: “Evito ao máximo ser escravo de um prato, porque, às tantas, não se consegue fazer nada de novo.” E fazer novo é exatamente o que se propõe nesta cervejaria com 187 anos.

E o que bebemos? Numa cervejaria, cerveja, obviamente. Da marca da casa, em três variedades: Áurea, uma Vienna Lager, com aromas a caramelo e cereais; Fénix, uma American Wheat, lupulada e cítrica, com baixo amargor; e Profana, uma India Pale Ale, de notas herbais e um amargor mais intenso.

Fátima de Sousa

Quinta-feira, 30 Novembro 2023 12:07


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