Briefing | É CEO da smart Portugal desde a parceria que autonomizou a marca da Mercedes. Estamos a falar de uma nova smart?
Bernardo Villa | Fechámos um livro e abrimos um novo. A smart, como a conhecíamos, era parte integrante do grupo Daimler, que detém a Mercedes-Benz e que, em 2020, constituiu uma joint-venture com a chinesa Zhejiang Geely, dando origem à holding smart Automobile, em que cada parte detém 50% do capital. Nesta holding, integra-se a smart Europe, a entidade que é responsável pela marca na Europa, quer no que respeita às relações públicas, quer em termos de produção, conceção e design dos novos produtos. É importante dizer que os novos modelos são concebidos pela equipa do Gordon Wagener, o Chief Design Officer da Mercedes-Benz.
O que é que a smart ganha com esta nova estrutura?
Há vantagens evidentes. Por um lado, mantém o design europeu, o que é importante, e depois ganha a flexibilidade de acesso à tecnologia, que nos traz o nosso parceiro.
Mas essas vantagens são percetíveis para o consumidor?
É claramente percetível. Do ponto de vista dos novos modelos, há diferenças substanciais em termos de qualidade, de tecnologia, de conetividade, de espaço. É uma nova era.
Por outro lado, alterámos completamente o modelo de comercialização. A marca passa a ser 100% digital, vivendo numa plataforma online, embora mantendo alguma presença física porque é importante para os nossos clientes. A lógica será omnicanal, mas olhando para os concessionários como agentes.
Esta mudança acontece numa altura em que o setor automóvel está a responder ao desafio da mobilidade elétrica. Qual é a abordagem da smart?
Para lhe responder, vou recuar um pouco no tempo até à génese da marca e recordar que, em 1998, quando se idealizou a smart, pensou-se num automóvel elétrico urbano. A tecnologia é que não existia, pelo que optámos por uma viatura a combustão. Mas, fomos provavelmente uma das primeiras marcas a lançar um modelo elétrico, em 2010. Foi o smart fortwo EQ, que teve uma experiência de cerca de dez mil unidades nessa altura, tendo-se tornado parte do portefólio a partir de 2017. E, em 2019, a marca tomou a iniciativa de se tornar 100% elétrica, já antevendo as necessidades dos consumidores em termos de mobilidade urbana. Nesse ano, acabou a combustão e, desde 1 de janeiro de 2020, todos os smart vendidos são elétricos. Foi uma decisão com ação.
E isso deu um novo impulso à marca?
Na abordagem da marca à sustentabilidade, foi notória a diferença, pois fomos ao encontro das políticas de descarbonização que as próprias cidades já estavam a adotar.
Em termos de imagem, ganhámos muito com esta decisão. E, na realidade, foi uma decisão acertada, porque, passados três ou quatro, estamos a ver que o crescimento da mobilidade elétrica é exponencial em Portugal.
Fátima de Sousa
Leia a entrevista na íntegra na edição impressa de agosto de 2o23.


