O que espera João Gomes de Almeida de 2016? Será o ano dos 4 B

O criativo João Gomes de Almeida vai entrar em 2016 com novos projetos, depois de ter saído da Nylon. Até lá, partilha com o Briefing as suas perspetivas para o novo ano, identificando quatro tendências no marketing e na publicidade.

São os 4 B:

Brand entertainment – Às vezes o mundo da publicidade não é assim muito diferente do mundo da moda. Como bem sabemos, todos nós profissionais da área do marketing e da comunicação ligamos muito a tendências.

Passe a redundância, na moda as tendências de cada estação são ditadas nas mais importantes “semanas da moda” (Paris, Nova Iorque e Milão). Na publicidade a nossa “semana da moda” é Cannes.

Em 2015 as grandes tendências foram o Brand Purpose, o Design Thinking e o Big Data. Em 2016 todas as atenções vão estar em cima do Brand Entertainment – aliás, não é por acaso que o festival de Cannes decidiu criar um festival autónomo dedicado exclusivamente a este tema.

Cá por Portugal vamos ter que entender melhor o que é isto do Brand Entertainment, o risco que as marcas vão ter que assumir para o conseguir usar e o investimento que as agências e produtoras vão ter que fazer para se tornarem competitivas neste campeonato.

Be brave – 2016 será certamente um ano de retoma para o nosso sector. Muitos anunciantes terão budgets maiores e parece que há marcas que há muito estão caladas e que vão voltar a comunicar.

Os profissionais acomodados veem nesta retoma a oportunidade de voltarem a trabalhar como faziam antes da crise. Os olhos de muito boa gente reluzem com a possibilidade de voltarem a fazer grandes produções, de preferência filmes caríssimos, se possível com figuras públicas e as estrearem nos 3 canais de sinal aberto antes da abertura dos telejornais.

Mas retoma felizmente não significa regresso ao passado e o facto de haver mais dinheiro não implica que devamos voltar às velhas receitas. Está na altura de sermos corajosos e ousarmos fazer diferente – melhor clima financeiro significa que os profissionais não acomodados terão a oportunidade de arriscar mais.

Back to the basics – Os anos de crise exigiram engenho e instinto de sobrevivência às agências e aos seus profissionais. Agarrámo-nos desesperadamente a tudo quanto nos parecia ser uma luz ao fundo do túnel. Tornámo-nos de um momento para o outro especialistas em tecnologia e em inovação, vestimos a capa de analistas de dados e de repente até parecia que nos tínhamos tornado grande experts em consultoria financeira e estratégia.

Tão grave foi esta histeria coletiva que nos fomos afastando daquela que é a verdadeira vocação das agências criativas: resolver os desafios lançados pelas marcas através de grandes ideias.

O ano que aí vem vai felizmente obrigar as agências a colocarem novamente a criatividade no centro da sua atividade. Porque inevitavelmente os clientes vão acabar por perceber onde é o local indicado para comprarem estratégia de negócio, IT ou criatividade – e só há uma destas áreas de negócio em que as agências de publicidade são verdadeiras especialistas. Já adivinharam qual é, não já?

Boutique – “Petit Commerce” segundo o francês “Le Dictionnaire”, mas antes “Relatively small firm that provides a limited range of (usually) very specialized goods or services, often at premium prices” segundo o americano “Business Dictionary”. Obviamente que me refiro à segunda interpretação do termo.

Mais budget, mais tecnologia, mais meios onde anunciar, mais concorrência e mais procura, vão exigir da parte dos anunciantes a escolha de novos parceiros. Cada vez mais as agências do futuro terão que se comportar como verdadeiras boutiques criativas, oferecendo proximidade, rápido acesso ao decisores criativos, trabalho feito em equipa com o cliente, foco na ideia, menos processos, menos gorduras e menos tretas. Mas acima de tudo mais e melhor criatividade, capaz de ser realmente eficaz – porque como diria Marcelo Serpa “a criação só terá valor se os nossos clientes perceberem que somente através de uma grande idéia se entorta um gráfico de vendas para cima”.

Terça-feira, 29 Dezembro 2015 12:39


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