O que torna o The Art Legacy único? O design com assinatura Moooi

Clássico por fora, irreverente por dentro. É assim o The Art Legacy, o mais recente cinco estrelas da baixa lisboeta e o único hotel do mundo totalmente decorado com peças Moooi. Cada uma das peças foi selecionada pelo autor do projeto, o arquiteto Luís Rebelo de Andrade, de modo a espelhar o conceito por si desenhado para o espaço. A Briefing falou com o CEO do estúdio de design holandês, Robin Bevers, sobre esta parceria.

O que torna o The Art Legacy único? O design com assinatura Moooi

Esta não é a primeira vez que colaboram, mas é a primeira vez que a marca holandesa está presente com esta dimensão num projeto concebido pelo arquiteto português. A propósito, Robin Bevers partilha o que descreve como “uma história com final feliz”.

“Em abril de 2017, o arquiteto foi ao nosso stand no Salone del Mobile, em Milão, e tivemos oportunidade de lhe mostrar a nossa visão de hospitalidade. Ele gostou do nosso conceito forte e manifestou intenção de o usar neste projeto”, conta.

Em dezembro desse ano, Luís Andrade levou o proprietário do hotel, Acácio Teixeira, fundador do grupo AT, a Amesterdão, para conhecer um projeto de hotelaria inteiramente decorado pela Moooi. “E convenceu-o da sua visão”, resume Robin Bevers.

E que visão tem, afinal, a Moooi para a hospitalidade? “Queremos criar uma vida extraordinária. É que só temos uma vida e, ainda por cima, é muito curta, pelo que o melhor é que a aproveitemos bem”, começa por afirmar, para depois apontar os três valores da marca: provocador, inovador e poético. “Tem de ser isso tudo. Mas, com equilíbrio, sem que um prevaleça sobre os outros.”

Diz que Luís Andrade “combinou muito bem” estes valores, nas cores arrojadas que escolheu para os quartos e corredores, no uso de quadros representando insetos e animais extintos, na incorporação de tecnologia de ponta, nomeadamente no sistema de música e de luzes – “Não parece que é tecnológico, tem algo de poético”, comenta.

“Não queremos apenas fazer projetos, queremos tocar as pessoas. Queremos que as peças sejam vistas com a cabeça e com o coração, mas o coração é o mais importante. Um candeeiro, por exemplo, dá luz, mas, se for só isso que se pretende, basta comprar uma lâmpada. O que nos importa é o efeito que o nosso candeeiro provoca nas pessoas. Acessoriamente, dá luz”, realça.

A propósito, introduz o significado da palavra que está na raiz da marca: “mooi” em holandês significa “bonito”. “Quisemos acrescentar um ‘o’, para expressar ‘extra bonito’, extraordinário.”

Esta foi a primeira vez que, em Portugal, um arquiteto escolheu a Moooi para um projeto na íntegra: “Está imbatível”, resume, elogiando o trabalho feito num edifício com história como o dos números 175 a 181 da Rua do Ouro.

A fachada, quase parisiense, foi mantida, com a sobriedade a contrastar com o interior exuberante. São 73 quartos, sete dos quais suites, com cada um dos seis pisos a assumir uma cor própria, embora haja uma linguagem visual comum.

No piso térreo, situa-se o restaurante Áurea, com balcão aberto para a cozinha (ou vice-versa). Os tons escuros e quentes proporcionam um ambiente confortável. Este é o espaço do chef Pedro Mendes, cujas propostas evocam, ao mesmo tempo, as suas passagens pelo Algarve e pelo Alentejo, bem como por Lisboa. Uma herança que se deteta logo no amuse bouche: crocante de algas com bivalves e ervas marinhas; bolota com cabeça de xara; e pastel de nata de bacalhau.

No dia da apresentação do hotel, as memórias algarvias estiveram presentes também no braz de algas e vieiras e no pregado, bivalves e ervas marinhas. O Alentejo voltou à mesa com lombo de veado, presunto e vinho do Porto. E Lisboa marcou lugar com a sobremesa: arroz doce e amêndoa amarga.

O The Art Legacy é a primeira abordagem do grupo AT ao segmento de luxo 5 estrelas. Com novos projetos em desenvolvimento, nomeadamente no Porto, possui forte presença na baixa de Lisboa, nomeadamente com a cadeia My Story Hotels. Ao todo, são 700 quartos no ativo.

E porquê The Art Legacy? O empresário Acácio Teixeira explica que é um legado entregue à cidade, pelo que envolve de recuperação do património.

Fátima de Sousa

 

Segunda-feira, 26 Fevereiro 2024 11:18


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