Ode Winery, um elogio ao vinho em cinco monocastas. Que #ProvamosEAprovamos

Uma ode é uma composição poética laudativa ou amorosa. E a Ode Winery é precisamente isso: um elogio à cultura do vinho, nascido do amor pela agricultura orgânica e regenerativa, posto à prova numa propriedade em Vila Chã de Ourique desde 2022. E que já deu frutos: cinco monocastas, que #provamoseaprovamos.

Ode Winery, um elogio ao vinho em cinco monocastas. Que #ProvamosEAprovamos

Foi pelas mãos dos australianos David Clarkin e Andrew Homan e da brasileira Ana Araujo que tudo começou. E foi com a enóloga portuguesa Maria Vicente que se lançaram na produção vinícola nesta propriedade do Tejo com mais de uma centena de anos, mas que estava inativa há uma década.

Quem conta a história é Jim Cawood, diretor de vinhos, também ele australiano, convidado a mudar-se para Portugal para acompanhar os três investidores na recuperação das vinhas e da adega.

Enquanto lhe seguimos os passos pela adega ouvimo-lo dizer que foi positivo que as vinhas e o solo tenham permanecido intocados nesses anos, pois permitiu-lhes fazer vinhos segundo os princípios orgânicos. Afinal, não houve fertilizantes ou outros químicos, o que “foi um bom ponto de partida”.

Mas, primeiro havia que vencer o desafio de recuperar as vinhas negligenciadas, tornando-as novamente produtivas, seguindo o princípio que guia a Ode Winery – mínima intervenção, máxima atenção. O objetivo é obter a melhor fruta das vinhas e conduzi-las gentilmente pelo processo de vinificação.

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A ambição é produzir vinhos naturais, mas Jim Cawood nota que esta é uma categoria ainda pouco regulamentada e que – em sua opinião – “tem sido usada como desculpa para mau vinho”. Os da Ode são naturais – explica – na medida em que não lhes são adicionados aditivos e não há manipulação excessiva. Aliás, a opção por monocastas resulta exatamente dessa intenção de minimizar a intervenção. “O pináculo da produção de vinho devia ser o vinho natural e é isso que ambicionamos”, resume.

A filosofia da intervenção mínima cumpre-se, igualmente, na manutenção das práticas mais ancestrais, a começar pela colheita quase exclusivamente manual, com as uvas a serem resguardadas na adega durante a noite. Segue-se a pisa, nos lagares, algo que – realça o diretor de vinhos – acrescenta “algo” ao vinho: “É uma característica indefinível.”

Ode Winery, um elogio ao vinho em cinco monocastas. Que #ProvamosEAprovamos

Há outras características, porém, que importa manter afastadas dos vinhos. É o caso do sabor a madeira. Daí que o estágio em barrica de carvalho seja curto, normalmente cinco meses e nunca todo o lote – no caso da touriga nacional, não vai além dos 30%. O propósito é apenas que ganhem alguma estrutura, mantendo os traços que identificam cada casta.

E se a pisa é comum, quando se fala do Ribatejo, o uso de talha é-o menos, mas na Ode Winery acredita-se que os vinhos têm a ganhar com este método muito simples e fácil. Não obstante ser ancestral, dele resulta “um vinho moderno” e, claro, praticamente sem intervenção. “Old is new, new is old”, afirma o guia desta visita, para dar conta da aquisição de uma nova versão das talhas, com o mesmo efeito, mas sem a porosidade do barro, logo, sem interferência no sabor.

Em dois anos, os resultados foram “muito bons”. Com indicadores que – realça – “mostram que é possível produzir um vinho natural, sustentável e lucrativo”. Assim, depois dos 60 mil litros do ano de estreia, a colheita de 2023 ultrapassou os 100 mil litros.  A produção das vinhas cresceu naturalmente e houve castas, como a touriga nacional, que duplicou, com uma qualidade de fruta muito superior. “É um bom padrão para os próximos anos”, comenta.

Ode Winery, um elogio ao vinho em cinco monocastas. Que #ProvamosEAprovamos

Desta ode à cultura do vinho concretizada em 22 hectares de vinha saem cinco referências, quatro delas de branco: o Ode Semillon 2022, nascido de uma casta francesa associada a vinhos doces, mas que ganhou textura com o estágio, tornando-se mais seco e cítrico; o Viognier 2022, também uma casta francesa, que ganhou corpo e intensidade graças ao contacto com as borras finas durante a fermentação e que exibe notas mais frutadas e tropicais; o Fernão Pires 2022, que envelheceu em barricas novas, mas mantém um traço fresco, com notas de fruta e herbáceos; e o Arinto 2022, que representa bem a acidez própria da casta, quebrada por apontamentos de maçã verde, marmelo e baunilha. O único tinto é o Touriga Nacional 2022, que no paladar mostra notas de ameixa, amora e especiarias.

Os cinco podem ser provados – e foram-no – no Cellar Door,  o restaurante em que a gastronomia japonesa e a portuguesa se fundem. Inspirado nos bares “izakaya”, apresenta um menu pensado para ser partilhado, da autoria do chef Kazuya Yokoyama.

Ode Winery, um elogio ao vinho em cinco monocastas. Que #ProvamosEAprovamos

Com a adega, integram um plano mais vastos para esta propriedade de cerca de 100 hectares – o Ode Winery, Farm & Living, que, em breve, ganhará vida com infraestruturas turísticas, nomeadamente um hotel e glamping.

Fátima de Sousa

 

 

Sexta-feira, 02 Fevereiro 2024 15:27


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