#ProvamosEAprovamos os novos Portos velhos

São os novos Portos velhos e deram-se a provar numa masterclass promovida pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). Com 50 anos ou Very Very Old (VVO), uma coisa é certa: são vinhos únicos e raros, carregados de história, mas com forte perfil de inovação.

#ProvamosEAprovamos os novos Portos velhos

Esta foi uma oportunidade para provar nove vinhos que se enquadram nas novas categorias de vinho do Porto aprovadas em janeiro de 2022. Coube a Paulo Russell-Pinto, membro da câmara de provadores e do serviço de comunicação e promoção do IVDP, enquadrar as novidades. Até aqui, estes vinhos eram colocados no mercado, respondendo a uma elevada procura por vinhos ultra premium, mas sem que houvesse regulamentação específica. Os vinhos envelhecidos estavam classificados como tendo mais de 40 anos, podendo estender-se até aos 200 anos. O que mudou foi a criação das categorias de 50 anos, um “número redondo”, que ajuda comercialmente, e VVO (ou WW), que abarca vinhos com mais de 80 anos. Também a categoria de Garrafeira sofreu um ajuste, passando a ser critério um estágio em madeira de quatro a oito anos, seguido de um período mínimo de estágio em recipiente de vidro.

Enquadrado que estava o tema, chegava o momento da prova. O primeiro dos nove vinhos foi um Kopke Porto Branco 50 anos, apresentado pelo enólogo Carlos Alves. Trata-se de um vinho resultante de um lote de colheitas de vários anos, de castas tradicionais do Douro, com a idade constante do rótulo a corresponder a uma média das idades dos diferentes vinhos que entram na sua constituição.  De tonalidade dourada escura, com laivos esverdeados, é descrito como possuidor de um nariz elegante, mas intenso, em que sobressaem notas de fruta amarela com caroço, como damascos e alperces. Ainda assim, possui apontamentos cítricos, relevando-se fresco na boca.

Seguiu-se outro branco 50 anos, mas da marca Vista Alegre – sendo que, aqui, qualquer semelhança a marca de loiças é pura coincidência. Coube ao diretor-geral da Vallegre, Miguel Martins, dar a conhecer este vinho que, pela sua tonalidade mais escura, se pode confundir com um tawny. Envelhecido no Douro, exibe notas intensas a baunilha e a frutos secos, mas também especiarias. Não obstante possuir mais 40 gramas de açúcar do que o anterior, essa diferença não se mostrou visível na prova.

Um outro branco, mas um VVO da Rozès, tomou-lhe o lugar. De cor âmbar esverdeada, é, nas palavras do enólogo Manuel Henrique, um vinho complexo, de stock limitado, porquanto existem apenas 200 garrafas. Estagiou e envelheceu em madeira, apresentando notas de fruta cristalizada e essência de baunilha. É – diz o seu criador – “a essência do Douro na garrafa”.

Também 50 anos, provou-se o Taylor’s Golden Age Tawny. Foi o Head of Global Duty Free da The Fladgate Partnership, que fez as honras deste vinho envelhecido em cascos de carvalho e que – afirma – reflete todo o cuidado e paciência tidos na sua guarda. De cor castanho-acobreada, exibe um ligeiro rebordo dourado, com os aromas a abrangerem notas de rum e passas, mas também noz moscada e pimenta preta. E ainda algumas notas cítricas e a frutos tropicais. A proposta é que seja bebido só por si, se bem que possa acompanhar uma sobremesa.

A meio da prova a vez de Luísa Vieira de Sousa revelar o Tawny 50 anos que leva o nome da sua família. Nascido de vinhas plantadas em solo de xisto, integra Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Barroca e Tinta Roriz, com a enóloga a considerar que esta última casta é “uma peça-chave para a postura dos vinhos mais velhos”. Envelheceu nas quintas, tendo sido engarrafado a partir de 2008. E resulta da sua visão para o vinho do Porto: a prova de vinhos velhos levou-a a ter a certeza do que queria fazer – “É isto!”

Ainda nos Tawny 50 anos, o enólogo Jaime Costa apresentou o representante da Vasques de Carvalho. Composto por vinhos de diversas colheitas, entre elas uma de 1880, da zona do Baixo Corgo, vai sendo engarrafado à medida que o mercado o solicite. Apesar de o teor alcoólico ser idêntico, 20º, o álcool sentiu-se mais do que nos anteriores vinhos provados. Outra diferença prende-se com o design da garrafa, mais baixa e arredondada do que o formato tradicional do vinho do Porto.

Da Quinta do Estanho chegou mais um exemplar da mesma categoria de “novos Portos velhos”, pelas mãos de Fernando Cardoso, filho do fundador da empresa.  Oriundo de parcelas situadas nas encostas do Rio Pinhão, tem a sua matriz num lote de 1877. A cor é acastanhada com reflexos esverdeados, com o aroma a ostentar notas de frutos secos, resina, tabaco e frutas cristalizadas. Intenso, é descrito como “torradinho”, dado que exige, igualmente, notas amadeiradas. Aprovado em março de 2022, só é engarrafado por encomenda.

Caberia à Quinta do Vallado encerrar a sucessão dos Tawny 50 anos. O export manager, João Álvares Ribeiro, deu a conhecer este Porto saído de uma das quintas da famosa D. Antónia, “a ferreirinha”. Na sua composição, entra vinho de uma barrica datada de 1888. Intenso e complexo, exibe notas de resina e toranja caramelizada, evidenciando-se na prova aromas tostados.

O único Very Old da prova, mas que, pela atual classificação seria um VVO, trouxe a chancela Niepoort. O master blender Rodrigo Nogueira descreveu-o como “um vinho muito especial, pelo histórico e pela qualidade”. É a recriação de um vinho do início do século XX produzido pelo avô do atual proprietário, Dirk Niepoort: trata-se de um Tawny de 1860, aproximadamente, que estagiou 50 anos em garrafão. “Foram 170 anos de espera, reinventámos os VVO”, comentou.

Esta masterclass integrou as comemorações do Port Wine Day, data celebrada em setembro desde 2014.

Segunda-feira, 02 Outubro 2023 11:07


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