Um estúdio de Design singular

Chama-se Bisarro porque surgiu para redesenhar a cerâmica de Bisalhães, a louça preta tradicional de Vila Real. Entretanto, evoluiu “organicamente” para os rótulos de vinhos, mas o nome ficou.

Um estúdio de Design singular

Áudio by IA

O Bisarro é um estúdio de design gráfico, dedicado sobretudo ao mercado do vinho e ao desenho de rótulos, mas nem sempre foi assim. Renato Rio Costa trabalhava na SPAL Porcelanas quando regressou a Vila Real para começar um negócio que partia da ideia do redesign da cerâmica tradicional de Bisalhães. Batizou-o, pois, juntando barro ao nome da louça negra tradicional dessa aldeia transmontana.

Em 2016, o fundador desenhava o primeiro rótulo: do Chipmunk Branco, para a Casa Agrícola de Phermentões. E a partir desse, por recomendação entre clientes, os projetos foram aparecendo. Com o passar do tempo, o trabalho de design gráfico ligado aos vinhos foi ganhando relevância em relação à cerâmica. E o caminho foi ficando mais claro, evoluindo de forma “muito orgânica”.

“Ao longo dos anos, percebemos que fazia sentido mudar o nosso core business da cerâmica para os rótulos. Aí sim, começámos a definir objetivos e a focar na área dos vinhos. Foi uma grande mudança, mas como a fizemos de forma progressiva, conseguimos controlar o impacto”, explica Renato Rio Costa.

Estar sediado em Vila dá ao estúdio – entende – uma posição privilegiada para clientes do Douro, não só para debater propostas como, por exemplo, para escolher materiais de impressão. É, aliás, a proximidade com que trabalham com os clientes que distingue o atelier, a par da diversidade de escalas dos mesmos.

“É importante falarmos a mesma língua e trazermos o cliente para o nosso processo, sem jargões do mundo do design e termos técnicos”, diz. “Quanto mais estivermos na mesma página, melhor. Sejam marcas já estabelecidas no mercado ou uma pequena marca que está a começar agora, procuramos sempre apresentar as nossas melhores propostas e estamos disponíveis para acompanhar todo o trabalho, até à produção do rótulo em máquina”, adianta.

Integrando uma equipa de apenas três designers, Renato Rio Costa acredita que há mercado em Portugal para agências e estúdios de todas as dimensões. “Hoje, as oportunidades não se cingem à nossa cidade, nem ao nosso país, e o design português tem muita qualidade”, comenta, sustentando que, no caso de Portugal, as marcas de vinho estão cada vez mais a perceber a importância da imagem e do rótulo para se destacarem da concorrência, não só as grandes marcas como as mais pequenas. “Isso traz uma grande variedade de clientes, que permite uma grande variedade de empresas criativas a suportar os seus negócios”, afirma.

Admite que o rótulo de vinho pode parecer um trabalho de design unidimensional porque, afinal, a larga maioria das vezes não deixa de ser papel impresso colado numa garrafa, mas encara como estimulantes essas “aparentes limitações formais”. É aqui que entra a inovação, entende. “A primeira forma de inovar é sempre a ideia, o conceito, mas há espaço para mais: podemos pensar em cortantes diferentes, materiais diferentes, técnicas de acabamentos diferentes, o rótulo pode ser contracolado, a garrafa pode ser serigrafada em vez de ser um rótulo em papel”. Há imensas possibilidades, concede, mas “o mais importante é que a inovação, sobretudo quando é técnica, faça sentido no universo de cada marca”.

Mais do que prestador de um serviço, conseguir ser parceiro dos clientes é o que o fundador aponta como sinónimo de um projeto bem-sucedido. E acredita na repetição como fórmula para o sucesso: “Fazer, fazer, fazer e fazer mais”. “A criatividade é um músculo que tem de ser trabalhado”, remata.

Sofia Dutra

Quinta-feira, 28 Dezembro 2023 10:33


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