O escritório de ...

Jorge Coelho

“Um espaço onde objetos pessoais se misturam com objetos profissionais, onde prémios convivem com brinquedos, onde cultura se cruza com sabedoria popular. É um espaço livre e democrático onde tudo é possível”. É desta forma que Jorge Coelho, diretor criativo da Ogilvy, descreve o open space onde trabalha e que compara com a cabeça de um criativo.

segunda, 19 fevereiro 2018 09:44
Jorge Coelho

 

“Numa das extremidades do departamento criativo, entre a estratégia e o espaço ocupado pelas duplas criativas”, é onde fica a secretária de Jorge Coelho. Um espaço que pode, por vezes, ser confundido com o antigo mercado da Ribeira pois, “volta não volta, vira um mercado onde tudo se discute”. Ainda assim, o open space “tem algumas regras e algum método, porque nem tudo pode ser caos”, “é um espaço vivo e vivido” e é neste sentido que o diretor criativo assume algumas parecenças com o seu local de trabalho.

O ambiente “descontraído, vivo e criativo” da agência contagia o espaço de Jorge e junto à “mesa limpa e ampla” onde trabalha há uma outra mais pequena que lhe permite reunir-se com a equipa sempre que necessário. Mantém, assim, “alguma privacidade no trabalho mais individual, mas igualmente uma ligação constante com o resto da equipa nos trabalhos em que é necessário a colaboração de várias pessoas”.

Na secretária, além do telemóvel, nunca pode faltar o computador que “é cada vez mais o centro de tudo”. Aqui, a preferência é bastante clara, “sempre Apple”. Mas, apesar de o caminho ser feito cada vez mais ao encontro das novas tecnologias, há hábitos que são difíceis de deixar e também “o caderno moleskine, uma boa caneta, uma revista, uma ou duas folhas com os assuntos pendentes e na ordem do dia” são essenciais. Outros elementos que identificam o lugar de Jorge dentro do open space são uma garrafa de água, um maço de notas e alguns design toys, que “dão cor à mesa e um ar menos sério ao espaço”. Nos últimos tempos até “uma bomba relógio tem feito parte da decoração”.

O espaço “luminoso e desafogado” é amplo, confortável e versátil, características que, segundo o diretor criativo, motivam a inspiração e estimulam “a troca de experiências e opiniões”. Se calhar é por isso que privilegia o lado mais humano e considera que “a inspiração surge mais dos desafios do dia a dia do que do espaço. Do contacto e troca de experiências”. Admite, no entanto, que, se não fossem as características do open space, “daria certamente mais pelos constrangimentos” e sentir-se-ia “mais limitado”.

E neste open space a janela desempenha um duplo papel: ajuda-o o a distrair-se e a… concentrar-se. Os headphones fazem o mesmo. Mas, situações exigentes requerem medidas radicais e quando se trata de procurar um ambiente mais tranquilo é na sala de reuniões 1 que o encontra, principalmente numa das cadeiras viradas para a janela com vista para a Avenida Fontes Pereira de Melo, o “spot de eleição”. Pode-se dizer que Lisboa tem um papel fundamental nos momentos de evasão e inspiração do diretor criativo, com especial enfoque para a Avenida da República, do Saldanha a Entrecampos, a vista da janela do open space.

Jorge confessa que a monotonia o incomoda e que por isso faz “algumas mudanças de tempos a tempos”. Ainda assim, gostaria de acrescentar mais objetos pessoais divertidos para tornar o open space mais informal. “Uma planta verde bem grande” seria outra aposta do diretor criativo para lhe conferir “menos ar de escritório padrão”. E “revistas e livros, desde que bons, são sempre bem-vindos”.

 Jorge Coelho

“O maço de notas lembra-me que o que eu faço é divertido, mas é um negócio onde as ideias valem muito e dão muito dinheiro a ganhar às marcas e (deviam também dar) às agências.”

Jorge Coelho

“As canetas vão mudando, mas são sempre escolhidas com muito cuidado e, enquanto sentir que estão a dar boas ideias, preservo-as religiosamente. Quando uma delas coincide com uma fase menos boa, aí fica esquecida algures. É provavelmente o único objeto mais ligado à sorte ou falta dela, embora saiba que a questão está mais próxima da inspiração do que da sorte."

Jorge Coelho

“A bomba juntou-se à mobília recentemente e serve de símbolo da pressão diária. Tudo é para ontem, hoje em dia.”

Jorge Coelho

 “Pendurada numa parede, dá um ar nobre, mas igualmente irreverente ao espaço. É uma mistura de conceitos, um objeto que, na forma, vai buscar inspiração a um ambiente tradicional e distante duma agência, enquanto, no material, vai buscar modernidade e disrupção. Uma metáfora do trabalho criativo desenvolvido na agência - nobre e inovador.”

 

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

bt nl

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing

Melhores Briefing