Opinião

Passemos à ação *

Passemos à ação *

A questão central já não é debater se faz sentido ou não o Acordo Ortográfico, nem quais as suas vantagens e desvantagens, mas sim de que forma as organizações se vão adaptar ao mesmo. Carlos Amaral, CEO da Priberam, dá a sua opinião sobre o assunto.

quarta-feira, 28 dezembro 2011 11:38

 

 

O novo Acordo Ortográfico (AO) começou a ser aplicado no sistema educativo neste ano letivo e a sua utilização vai alargar-se, a partir de 1 de janeiro de 2012, ao Governo e a todos os serviços, organismos e entidades na sua dependência. De qualquer forma, já há mais de um ano que diariamente somos confrontados com a nova ortografia na imprensa escrita e, desde o início do ano, na televisão pública. Nos últimos meses, têm sido várias as empresas a aplicar o AO, tendência que provavelmente se irá acelerar até ao final do ano. A questão central já não é debater se faz sentido ou não o AO, nem quais as suas vantagens e desvantagens, mas sim de que forma as organizações se vão adaptar ao mesmo.

O processo de adoção do novo AO por uma organização deve ser previamente planeado e a sua implementação, interna e externa, calendarizada. Quanto maior a organização, mais importante é este planeamento e mais dilatado será o calendário de implementação, nomeadamente pelo tempo necessário para formar as pessoas e para atualizar todos os sistemas de informação utilizados, dotando-os de ferramentas de revisão adequadas.

Embora a formação de todos os colaboradores seja o ideal e as ações de formação possam ser aproveitadas para falar de outros aspetos relativos à utilização da linguagem escrita na comunicação da organização (por exemplo, nas redes sociais) nem sempre isso é possível. Nesse caso, as pessoas deverão ser informadas por escrito de que a organização vai adotar a nova ortografia, explicando brevemente porquê e quando, e colocando à disposição de todos alguns recursos, por exemplo, um dos vários guias disponíveis sobre o AO.

Para minimizar potenciais reações de contestação, embora o processo de adoção do AO seja da responsabilidade da área da comunicação, deve ser claro para todos os colaboradores dentro da organização que a decisão veio de cima ou, pelo menos, tem o suporte total da administração.

A par da informação e formação dos recursos humanos tem de ser feito um levantamento exaustivo de todos os programas e sistemas utilizados na produção de conteúdos – emails, cartas, faxes, sites, blogues, redes sociais, newsletters, folhetos, catálogos, manuais, documentos contabilísticos, relatórios, apresentações, etc. – e verificar se os respetivos fornecedores já têm soluções para a nova ortografia. Também os fornecedores de serviços externos – agências de comunicação e publicidade, tradutores, consultores, advogados, ROC, etc. – terão de estar aptos a utilizar a nova ortografia a partir do momento em que isso lhes for exigido.

Estando a organização pronta para passar a produzir todos os conteúdos na nova ortografia, resta decidir o que fazer com as peças impressas atuais, nomeadamente, catálogos, cartões-de-visita, sinalética, pois até estes últimos podem sofrer alterações (basta pensar nas palavras diretor e direção). Haverá ainda casos em que muitos dos conteúdos existentes, mesmo que apenas em formato digital (por exemplo, num blogue), manterão a grafia antiga, devendo nesses casos chamar-se a atenção para tal em nota de rodapé.

Tendo tratado de todos os aspetos internos de implementação, resta decidir se, como e a quem é que se vai comunicar a adoção da nova ortografia e se essa vai ser feita de um dia para o outro ou de forma faseada ao longo de um período de tempo (que não deverá prolongar-se por mais do que três ou quatro semanas).

Finalmente, a organização deve estar preparada para lidar com as inevitáveis críticas, definindo o que deve ser respondido e de que forma.
Os média tiveram e continuam a ter um papel importantíssimo na habituação à nova ortografia e abriram caminho para todas as outras empresas. A partir de agora, a linguagem das empresas terá forçosamente de sofrer alterações e certamente que, em alguns casos, os criativos já estarão até a estudar qual a melhor forma de as aproveitar.

Carlos Amaral
CEO da Priberam

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

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