Opinião

Imagine um mundo sem voz...

Imagine um mundo sem voz...
...Não um mundo mudo. Mas quase. Um mundo socialmente mudo, onde cada um tem a sua voz – tão inata quanto subestimada – mas não a consegue projetar para lá do ‘diz que disse’.

segunda-feira, 16 abril 2012 02:00

Imagine-se um mundo em que uma mensagem, para chegar à generalidade da população, tem necessariamente de ser dita à pessoa do lado, que por sua vez a tem de transmitir à outra pessoa do lado, que diz à irmã, que diz à prima, que diz à avó, que diz à vizinha.

Claro está que, sendo a coscuvilhice uma característica natural do homem - ou da mulher (ou não me teria limitado a referir parentescos femininos) -, este continua a ser um fenómeno bem conhecido dos dias de hoje, mas isso são outras histórias. O certo é que este mundo socialmente mudo que hoje nos é difícil de conceber foi o mundo em que vivemos durante anos. Era a época gloriosa das conversas de café e das discussões em praça pública, mas era também a época do contar contos e acrescentar pontos. Imagine-se como os políticos conquistavam eleitorado se, quando discursavam, só as dez ou vinte pessoas da fila da frente os conseguiam ouvir. Estranho, han? Tão estranho quanto imaginar como se promoviam conceitos, marcas e produtos, num mundo que desconhecia a alta-voz.

Mas a verdade é que o mundo foi pacificamente assim até que a história caminhou rumo à modernização da rádio, das gravações sonoras e daquilo que hoje conhecemos como colunas de som. Por volta da década de 30, a voz entrou com toda a força e esplendor na vida pública e, trazendo consigo todos os seus perigos e ambições, revolucionou a comunicação. Só nessa altura nos apercebemos finalmente daquilo que sempre estivera diante dos nossos olhos e que sempre nos escapara: o poderio único da voz na transmissão de ideias e na comunicação de marcas.

Libertada das amarras das conversas de café, surgia assim uma arma tão súbtil e indefesa quanto mortífera se usada sem piedade. Corria a II Guerra Mundial e a voz de Hitler ecoava pelo mundo: brutal, dominadora, assustadora mesmo e, ainda assim ou talvez por isso, absorvente. Aliás, Hitler investiu tanto nesta nova arma que ainda hoje há quem diga que só ele atingia o exacto timbre de voz que é necessário para captar a atenção e mobilizar o povo - não demasiado estridente, não demasiado monocórdico.

Por força das necessidades políticas e sociais surgiram então mecanismos que permitiram ampliar a voz e difundi-la para que uma mesma mensagem conseguisse chegar rapidamente a todos de uma só vez. Acontece que hoje as necessidades são outras, assim como o são as exigências do mercado. A voz entra-nos pela casa dentro já de tal forma ampliada - pela televisão, pela rádio, pelo computador - que a urgência é organizá-la, discipliná-la.

No dia em que se comemora a voz à escala mundial, podemos orgulhar-nos de constatar que já se começou a escrever um novo capítulo nesta história: o capítulo em que a voz se torna profissional e organizada numa agência que a gere para as várias plataformas da comunicação consagrada.

A voz fez história. Esteve na génese dos grandes acontecimentos da História - quer nas conversas de café, quer nas máquinas de propaganda. Hoje, a ZOV perpetua-a.   

Marta Correia – Fundador da Zov

quarta-feira, 18 abril 2012 18:57

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