Opinião

Há criatividade em Portugal!


Há criatividade em Portugal!

“Em Portugal a partir de um rádio transmissor e de uma portagem chegamos à Via Verde. Seguindo esta mesma base e capacidade temos a possibilidade de criar o que nenhum outro país consegue, já que temos uma tradição em beber de outras culturas e torná-la nossa”.

quarta-feira, 24 outubro 2012 12:20

Quem o afirma é Joah Santos, chief creative strategist da Nylon,  para suportar o seu argumento de que “há criatividade em Portugal”, num artigo que hoje publicamos.

“Muitas vezes quando pensamos em criatividade a nossa mente viaja imediatamente para museus de arte e para publicidade, passa por Picasso e Dali ou designers gráficos e copywriters. No entanto, é preciso perceber que as mentes mais criativas no mundo não são só as dos artistas. Este talento natural reside muitas vezes no mundo do negócio onde ninguém pensa encontrá-lo, e é este mesmo que acaba por resolver muitos dos problemas que se vão encontrando. Engenheiros que começam com um ecrã de computador em branco, e que criam inúmeros códigos que mais tarde apresentam um valor incalculável para a sociedade. Brand Managers que percebem através de dados e informações qual o melhor target de atuação. Muitas vezes até são pessoas que passam o dia a trabalhar com uma calculadora e que utilizam o Excel para perceber a melhor utilização das finanças para fundir, comprar ou até construir uma empresa.

Seja qual for a definição de criatividade de cada um, se perguntarmos de onde vem o talento de um grande criativo a maior parte das pessoas vai responder que ou é um dom inato transmitido geneticamente ou que é algo que não se explica. A verdade é que estas mentes são, sem dúvida nenhuma, diferentes das restantes pessoas. Pesquisas conduzidas pelo INSEAD, pela BYU e por Harvard demonstram que a grande diferença é a capacidade de aprender comportamentos.

Onde é que isto nos leva? Simples. A base da criatividade é a capacidade de “pensar de forma associada”, ou seja, a capacidade de criar uma ligação entre o que está separado e assim juntar as peças e montar o puzzle. Qual o melhor exemplo do que acabei de explicar? Em Portugal a partir de um rádio transmissor e de uma portagem chegamos à Via Verde. Seguindo esta mesma base e capacidade temos a possibilidade de criar o que nenhum outro país consegue, já que temos uma tradição em beber de outras culturas e torná-la nossa. Para prová-lo podemos pensar que um dos nossos pratos mais típicos, o bacalhau, é proveniente da Noruega.

No mundo empresarial são os dados que revelam se o processo criativo tem sucesso ou não, e é o próprio mercado que se encarrega de apontar uma direção a seguir para que se consiga apresentar mais valor. Assim, é preciso perceber que devemos pescar no local onde existe peixe, caso contrário não teremos nada para comer num futuro muito próximo. Esta metáfora representa o que acontece no mundo da arte, onde um pequeno grupo de críticos determina o quão bons somos e se as nossas peças são vendidas por preços elevados, ou se, caso contrário, somos apenas indivíduos a pintar num qualquer canto. Desta lição do mundo artístico percebemos que o mesmo acontece com as empresas portuguesas. Num cenário cada vez mais complicado é necessário apresentar mais-valias que possam atrair o investimento, e Portugal está a conseguir caminhar no rumo da mudança. Somos um dos países que apresenta um dos mais elevados registos de patentes do mundo, o que demonstra que cada vez temos menos medo de arriscar. É ao perder este medo que nos podemos tornar ainda mais criativos, e o futuro está mesmo ao virar da esquina, cabe-nos agarrá-lo com as duas mãos”.

Joah Santos, chief creative strategist da Nylon

Fonte: Briefing

segunda-feira, 29 outubro 2012 10:57

bt nl

O Outdoor Honesto

À Escolha do Consumidor

Edições Especiais

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing