Opinião

E Tudo o Vento (pode) Levar…

E Tudo o Vento (pode) Levar…Um dia, sem nos darmos conta, ficamos sozinhos. É assim nas relações. Desenganem-se aqueles que pensam que são diferentes as relações laborais. Nessas, também há a fase de encantamento, enamoramento e amor. Ou desilusão, negação, depressão.

quarta-feira, 02 julho 2014 12:57

Já todos nos apaixonámos. A paixão não tem necessariamente de envolver pessoas. Bioquímica e hormonas estão em relação criando um sentimento repleto de emoção e, por vezes, excitação. Altamente dependente da reciprocidade, a paixão resulta, também, de uma certa admiração. E acaba tão facilmente como começa. Para alguns, basta uma barba mal feita. Tudo começa de novo. Porque, para um relacionamento resultar, a balança tem de pesar, sempre, para o lado das coisas boas.

Um emprego pode, muito facilmente, ser comparado a um namoro. Começamos cheios de entusiasmo. Mesmo que saibamos que já não existem empregos para a vida, queremos sempre que aquele passe a ser o emprego da nossa vida. Para muitos, o trabalho é um fardo. Para outros, satisfação. Mas tudo pode mudar por causa dos colegas, condições de trabalho, do contrato, ambiente, do chefe ou liderança. Como no namoro, só queremos acabar de forma simples, garantindo que ninguém se magoa. Muitos entram numa espiral que raramente termina bem, reclamando com o mundo sobre a sua condição infeliz. Outros, procuram alternativas.

Se a empresa for de grande dimensão, a mudança pode estar ao virar da esquina. Raramente as estações de rádio são suficientemente grandes para esse tipo de mudança, interdepartamental. A não ser que façam parte de um grupo de media, depois de se entrar, sai-se para a concorrência. Ou, simplesmente, saímos. Significando que abandonamos também a rádio.

Li, há dias, um artigo que me fez pensar prolongadamente no valor das personalidades na rádio, porque existem exemplos em que o indivíduo ultrapassa a própria marca da estação. O que significa que, no dia em que este decida mudar de estação de rádio levará, certamente, um par de ouvintes. E, portanto, como em todas as áreas de negócio, people matters. Na rádio, matters a lot, simplesmente porque sem pessoas, não há rádio. Há um gira-discos. Mais um. Um shuffle contínuo sem a emoção da palavra, surpresa ou relação que só as pessoas são capazes de criar.

Por isso, também - diria, no caso, principalmente - na rádio, a rotina é um atentado à criatividade individual. A precariedade, em todos os seus sentidos, assusta e desmotiva. É fundamental criar boas relações entre colegas, entre estes e a chefia, o aspecto crucial num processo complexo, que pode criar problemas de insatisfação: falta de reconhecimento, incapacidade para ouvir, autoritarismo, sensação de invisibilidade ou, simplesmente, incapacidade para criticar construtivamente os processos criativos na rádio pode ter como consequência o desmembramento de uma equipa. Como em E Tudo o Vento Levou, nestes casos, raramente sobra pedra sobre pedra. Os profissionais mais reconhecidos são os primeiros a abandonar o barco. A concorrência está atenta e faz as suas ofertas. Vão, depois, os outros que, por consequência, se mostram disponíveis para novas experiências, uma expressão que delicadamente quer apenas dizer "quero sair daqui, por favor".

Afinal, ficam apenas os resignados, os menos experientes e aqueles para quem a mudança assusta mais do que uma má gestão. A rádio, essa estação de rádio, dificilmente voltará a ser a mesma.

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quarta-feira, 02 julho 2014 13:58

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