Opinião

The look of love

The look of loveDe apaixonados a escrutinados, num simples swipe. Só posso concluir que a paixão já não é o que era. Ou será ainda, o que sempre foi, com novas ferramentas para quem se quer apaixonar e outras tantas para os apaixonados? Opto pela segunda opção. Não creio que o amor tenha acabado.

segunda, 18 janeiro 2016 12:06

Muitos irão surpreender-se com a notícia sobre a lista com o ranking que o Tinder fez dos mais e menos desejados. Mesmo não a tornando pública, também eu me surpreendi. Abri a página para ler a notícia. Queria saber como se processa a coisa. Não fiquei a conhecer o segredo, mas percebi que tem tanto de científico quanto tinham os rankings que fazíamos com as nossas amigas. Eles, provavelmente, limitavam-se a enumerar as gajas boas, as simpáticas e as outras, que queriam para algo mais do que simplesmente olhar. Com maior ou menor elegância na verbalização, não me parece que elaborassem mais do que isto. Já nós, para além dos sonhos e das cartas de amor, fazíamos listas que os dividiam por categorias e actividades que gostaríamos: ir ao cinema, ir à praia, para curtir, para... Imaginem o que quiserem porque a nossa imaginação era, no mínimo, fértil.

Por isso, quando percebi que, no Tinder, havia um cruzamento de critérios tratados por um algoritmo criado para o efeito, não consegui deixar de rir, recordando essas listas para as quais nunca precisámos de nenhum algoritmo. Aceitávamos todos, até os que não conhecíamos – desde que as amigas assegurassem a beleza e outros critérios que valorizavam a beleza interior. Depois, fazíamos uma lista de nomes e outra de actividades. Sorteávamos entre as presentes. E riamos às gargalhadas por saber que, de acordo com a lista, iríamos à praia com alguém que nem conhecíamos, ou que jantaríamos com o mais giro de todos. Pura sorte. E nunca fomos a lado nenhum com qualquer um deles. Alguns dos quais, actores de cinema.

Não conheço muitas pessoas que possam contar a mesma história. Talvez por ser parva. Ou improvável. Listas com nomes de gajos? Era um Tinder numa versão beta, o melhor que a nossa imaginação conseguiu alcançar, que nos dava horas de discussão e gargalhada, sem a esperança de encontrar alguém, que o Tinder dá. Mesmo que alguns dos rapazes fossem colegas de carteira no liceu, a lista - as listas - era um segredo muito bem guardado entre nós.

O nosso algoritmo? Melhor do que o do Tinder porque, mesmo hoje, nada substitui a empatia de um olhar, o encanto de um sorriso, uma mecha de cabelo fora do lugar ou um galanteio na hora certa. Haverá hora certa, no Tinder?

segunda, 18 janeiro 2016 13:25

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