Opinião

O tempo da verdade. Essa verdade.

O tempo da verdade. Essa verdade.Um aspecto curioso da história recente, tão próxima que ainda se chama presente, é a ideia de um certo regresso ao passado, no sentido da valorização da verdade. A pública e a privada.

terça, 12 abril 2016 12:11

Em pouco tempo estrearam três filmes diferentes e, contudo, iguais entre si, que nos desvendam a verdade. Contudo, mais do que isso, fazem a apologia do regresso do jornalismo. Do bom jornalismo, aquele que coloca a verdade acima dos interesses – quaisquer interesses –, que não pactua com as tramóias típicas da vida em sociedade, e dos jornalistas que defendem essa verdade, mesmo quando ninguém os defende a eles.

O mundo acordou para o tema das offshores porque um conjunto de jornalistas, organizados numa rede internacional, decidiu provar que ainda há quem se recuse a ser um mero assalariado ao serviço das ambições de um órgão de comunicação social – e que nunca sabemos verdadeiramente quais serão –, para defender aquilo que tantas vezes se apregoa e que a rotina deixar escapar: o interesse público. A informação. A verdade. O jornalismo, tal como me explicaram que seria.

Gostei de ver, num país tão competitivamente aberrante, dois órgãos de comunicação social, de grupos de media diferentes, juntos para tratar os dados de uma investigação internacional.

Não sei se o caso Panama Papers irá mudar alguma coisa ou se os grandes poderes conseguirão manter o status quo. Parece-me bem que, se contribuírem para um jornalismo mais forte, contribuirão para uma sociedade mais informada, consequentemente mais atenta e desperta para questionar e esperar respostas.

O filme Spotlight, através de personagens sólidas e bem construídas, mostrou-nos que, mesmo que quiséssemos, a nossa vida seria indubitavelmente mais pobre sem um jornalismo independente, com recursos para investigar e garantir um sociedade justa e informada.

Recentemente, o The Big Short demonstrou como fomos enganados por um sistema bancário ganancioso que se auto-regula e protege com a conivência política que tanto convém. Agora, Truth, não só desvenda o que muitos já sabiam sobre o ex-presidente Bush como coloca a nú a teia de relações e conspirações que muitos processos eleitorais escondem, usando jornalistas como bode espiatório quando outro não pode existir.

Sabemos muito pouco sobre quem regula e governa. O papel do jornalismo é o de revelar aquilo que não sabemos, e o que não temos como saber. Nunca fui jornalista, mesmo tendo feito equivalente em diferentes momentos da minha vida. Talvez por isso me emocione, sempre, com filmes que mostram um jornalismo exigente que denuncia e tenta mudar o sistema. Se a ficção imita a realidade, é tempo da realidade de assumir como esta ficção.

terça, 12 abril 2016 12:49

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