Opinião

Um dia é da caça, outro do algoritmo

Um dia é da caça, outro do algoritmoNo mundo de hoje, ignorar o poder dos algoritmos é ignorar deliberadamente a estrutura de relações sociais, culturais, profissionais, económicas e políticas que definem a nossa sociedade. Os sites de redes sociais, na sua auto-gestão e regulação, adaptaram continuamente as suas características, modificando o algoritmo que os definem em função de interesses que nem sempre conseguimos decifrar.

quinta, 16 junho 2016 12:00
Um dia é da caça, outro do algoritmo

Não tenho nada contra o Facebook, ou outros sites semelhantes, mas não posso deixar de fazer notar que não existem para nos servir. Mesmo que queiramos pensar que sim, estes sites existem porque alguém os decidiu criar. Com objectivos específicos em cada um dos casos. Ainda se lembram da razão pela qual Mark Zuckerberg criou o Facebook? Pois.

A questão que se impõe é: quais os objectivos do site social no qual revelamos parte da nossa vida? E que objectivos temos nós, quando o utilizamos?

Estamos a falar de organizações privadas cujo modelo de negócio imita o tradicional modelo dos media. O Facebook depende da nossa atenção. Do tempo que lhe dedicamos. Textos, imagens e vídeos que visualizamos. Do que gostamos, comentamos e partilhamos. Por isso, o Facebook anunciou uma nova alteração ao seu algoritmo. Em vez das publicações mais populares passaremos a ver publicações relevantes em função do tempo que dedicamos a cada uma delas.

Atenção. Novamente e sempre, a economia da atenção, questionada enquanto modelo de negócio para os media e que, afinal, suporta o site no qual a maior parte das pessoas passa parte do seu tempo. Tempo e atenção... Tal significa que ao tempo e à atenção devemos somar a relevância, que determina as anteriores: a atenção que damos a um determinado conteúdo e o tempo que lhe dedicamos.

Há dias dei uma entrevista à revista Activa sobre a nossa presença no Facebook. As perguntas, objectivas, demonstraram-me que há necessidade de conhecermos melhor as redes em que nos movemos para que não sejamos apanhados na rede. Na verdade, acusam-me muitas vezes de ser uma detractora do Facebook. Não sou. Nas outras, cochicham, sem o afirmar frontalmente, que quando não se sabe dançar "é o chão que está torto". Na verdade observo com um olhar (muito) crítico este site, a sua natureza e dinâmica, verificando que assumimos, na generalidade, uma atitude displicente, passiva e pouco preocupada em relação à nossa presença digital.

O livro que publiquei recentemente, compilando os artigos que fui publicando na BRIEFING e outras publicações, dá conta da nossa relação com o digital, analisando os aspectos que alteraram profundamente a nossa relação com o mundo. Gosto de pensar que não usamos de forma acrítica o Facebook e que conhecemos as consequências da sua utilização, e o que nos motiva a utilizá-lo. Nessa entrevista falo daquilo que me parece essencial e que, para muitas pessoas ainda não está interiorizado. Porque nos deixámos envolver de tal forma nesta rede que, em vez de sermos o caçador passamos a ser a caçados por um algoritmo cuja origem desconhecemos.

quinta, 16 junho 2016 13:50

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