Opinião

Quem é o maior?

Pedro Batalha, partner da Kiss A bancada do parque de jogos do Clube Desportivo do Candal estava praticamente vazia. Todos os pais, amigos e olheiros juntavam-se à volta de metade do campo pelado, num cordão humano de apoio incondicional. Era a grande final do torneio infantil de futebol de sete. De um lado, a equipa com o melhor ataque, a melhor defesa e as piores chuteiras. Do outro, a equipa com o melhor marcador do torneio, onze anos apenas e mais de um metro e setenta de altura.

quarta-feira, 01 março 2017 11:56

Poucos eram os que sabiam que aquele calmeirão se chamava Tiago. No futebol e na escola, ele era o Larsen. O apelido devia-se às semelhanças com o avançado dinamarquês Preben Elkjaer Larsen. Arcaboiço, força, sentido de baliza e muitos cigarros fumados por dia. Mas o que chamava mais a atenção naquele corpo fora de escala é que ele vivia cada momento do jogo com uma intensidade melodramática desconcertante. Tanto era capaz de festejar os golos da forma mais grosseira, insultando os adversários ou perguntando de dentes cerrados "quem é o maior?", como, ao falhar um golo, podia ficar a pontapear o poste, até que o treinador ou algum colega o fizesse sair daquele gif.

Mas voltemos à final. Larsen, endiabrado como sempre, marcou quatro golos e que golos senhores ouvintes. Acontece que a outra equipa marcou cinco. E mal o árbitro deu o apito final, Larsen caiu redondo no chão. Quando o levantaram, chorava copiosamente. Lágrimas gordas salpicavam-lhe o rosto. Ele anunciava publicamente uma decisão irrevogável:

–Eu nunca mais jogo futebol na vida! Nunca mais! Nunca mais!

Já a equipa se encaminhava para o balneário, quando alguém do seu clube diz,

- Larsen, Larsen, está ali um senhor do FC Porto que quer falar contigo e com os teus pais.

Larsen levantou a cabeça, apontou para os pais e lá foi ele com aquele sorriso de quem é o maior.

A estória do Larsen tem alguns pontos de contacto com a nossa vida nas agências. Por aqui, é impossível não viver numa montanha russa motivacional. Com subidas lentas e descidas a pique. Ora acertamos e achamos que somos os maiores, ora falhamos clamorosamente e sofremos a bom sofrer até à próxima oportunidade. Entre briefing, prazo, pressão, ansiedade, dúvidas, proposta, decisão, novo briefing, sucedem-se os picos emocionais. Por entre tantos altos e baixos, há os que desistem (por acaso nunca mais ouvi falar no Larsen). Há os que, sem dar por isso, ficam bipolares (se o Larsen tivesse continuado a jogar, seria com certeza). Há os que vivem anestesiados (são os que acham que já viram tudo e decidem não sofrer, nem vibrar). E há ainda uns quantos que, respondendo à pergunta do título, querem, e muito, ser maiores.

quarta-feira, 01 março 2017 14:09

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