Opinião

Viva a inteligência!

Viva a inteligência!A polémica em torno do boicote à publicidade no Google e YouTube e as razões que o geraram trazem ao debate acerca do futuro da nossa indústria uma perspectiva que, a meu ver, torna o panorama mais luminoso.

segunda, 27 março 2017 13:16
Viva a inteligência!

Num momento em que tanto se fala de bots, de automação, de algoritmos, de formas mecânicas e matemáticas de substituir os humanos no desempenho de certas tarefas com gigantescos ganhos de produtividade e consequente optimização de custos; no momento em que se anuncia a morte do velho paradigma e o nascimento de uma nova realidade mais mecanizada e por isso mais eficiente, mais rápida e menos exposta ao erro humano, eis que surge este caso que nos mostra que afinal, afinal, as máquinas também cometem erros.

Eu acho que o velho paradigma está, efectivamente a morrer e vejo com bons olhos o abraço que a nossa indústria está a dar à tecnologia como forma de se tornar uma indústria melhor, mais eficiente e mais eficaz, mas a matemática não substitui o bom senso e anunciantes, agências e meios não podem entregar o trabalho a um algoritmo e demitir-se de olhar para o resultado e de pensar sobre ele.

Quando a matemática coloca um anúncio, seja de que marca for, ao lado de um vídeo de uma organização xenófoba não é a matemática que está errada – provavelmente existiam razões 'matemáticas' ligadas ao perfil de consumo do dito vídeo e ao seu cruzamento com os objectivos do anunciante. O que está errado é a ausência de bom senso para perceber que não há matemática que possa justificar a presença de uma marca num ambiente em que se defendem valores tão diferentes dos seus e tão eticamente questionáveis por todos.

Tudo isto se vai resolver, o Google já veio pedir desculpas, assumir responsabilidades e anunciar medidas, e o boicote, mais tarde ou mais cedo, será superado. O que ficará desta história – e é por isso que eu acho que depois dela o futuro da indústria será mais risonho – é que ela nos vem lembrar que na comunicação, como em tudo o resto, a mais poderosa das ferramentas ao nosso dispor é a inteligência: a inteligência que usamos para criar algoritmos combinada com a inteligência que usamos para perceber que eles às vezes, estando certos, estão profundamente errados.

sexta, 31 março 2017 10:10

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