Opinião

O 25 de Abril também libertou as marcas em Portugal

O 25 de Abril também libertou as marcas em PortugalA revolução dos cravos trouxe grandes alterações à vida dos portugueses. E uma delas foi com certeza a toda a dinâmica de consumo – as marcas viram-se, também elas, mais livres.

sexta-feira, 28 abril 2017 16:47
O 25 de Abril também libertou as marcas em Portugal

Até ao 25 de Abril de 1974, Portugal não era ideologicamente favorável à dinâmica do consumo. Salazar, com mão de ferro, tinha fechado Portugal ao mínimo possível de influência internacional e o grande consumo era uma das áreas em que essa influência mais se sentia.

No período pré-74, nalgumas partes do país ainda não havia electricidade e a influência da televisão e da publicidade era inexistente, os livres serviços como os pequenos supermercados e mini-mercados ainda apresentavam um número muito limitado de marcas ou embalagens e, nas mercearias, consumos como o azeite, o leite, o grão... eram feitos ao peso ou litro. Os hipermercados não existiam.

1974 foi por isso também uma revolução para as marcas, mas numa fase inicial... nem por isso ela foi positiva. As agências de publicidade foram, tal como muitas fábricas e latifúndios, nacionalizadas e os publicitários e poucos gestores de marketing do país foram também eles para as manifestações de felicidade da libertação do idealismo de direita que Marcelo Caetano mantinha de forma pouco convicta desde a morte de Salazar.

Esse ano e seguintes foram ainda um retrocesso para todo o marketing em Portugal - da ideologia fascista, o 25 de Abril faz Portugal passar a uma ideologia de esquerda também ela pouco favorável à influência dita capitalista de que o grande consumo era ícone "maldito". Marcas conhecidas partiram, agências internacionais fecharam, departamentos de marketing viram-se resumidas ao mínimo indispensável num país à beira de uma inflexão a uma esquerda extremista pouco favorável à ideologia de um mercado livre. Apenas ao fim de alguns anos, lentamente, as marcas começam a reinvestir em Portugal, um mercado quase virgem em muitos consumos. As marcas portuguesas começam finalmente a ter modelos internacionais a seguir e referências com as quais aprender. Apenas a partir daí, muitos consumos nos começam a ser ensinados - os anúncios portugueses e internacionais mantinham uma abordagem ainda essencialmente pedagógica e informativa e os retornados e refugiados das nossas ex-colónias (onde a liberdade de consumo era maior que nas grandes cidades da "metrópole") podiam finalmente voltar a beber Coca-Cola e a não ter que se limitar, para lavar a roupa, apenas ao eterno Skip (uma marca internacional que era vista quase como portuguesas). As embalagens de produtos como o detergente vêm substituir o sabão em barra e a televisão democratiza-se pelo país, alargando a sua influência para além da capital do país e das casas de classe média-alta.

A verdadeira revolução das marcas dá-se por isso... só nos anos 80 com a entrada na CEE. A Comunidade Económica Europeia, com os fundos de apoio, a liberalização do mercado, a abertura esfomeada do país às influências externas criam um oásis para as marcas internacionais e é nesta altura também que as marcas portuguesas finalmente florescem, sendo a grande distribuição, com os hipermercados enquanto veículo de sucesso dos segmentos do Fast Moving Consumer Goods. O comboio foi apanhado nessa altura e Portugal é hoje um dos mercados em que muitas marcas optam por fazer experiências-piloto e onde alguns consumos apresentam avanços desmesurados como nenhum outro – veja-se o caso da tecnologia, em que o país segue na linha da frente.

Conquistámos uma enorme liberdade no que respeita às marcas – e, por muito que o nosso pessimismo nos diga o contrário, os portugueses têm muito de que se orgulhar desde 1974 até aos dias de hoje.

terça-feira, 02 maio 2017 13:21

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