Opinião

Outra OPA no horizonte dos media? A reflexão de Jorge Veríssimo

Outra OPA no horizonte dos media?"Haverá outra OPA por parte de um outro grupo de telecomunicações?". A questão é do presidente da Escola Superior de Comunicação Social, Jorge Veríssimo, convidado pela Briefing a comentar o estado atual dos media nacionais, na sequência da notícia de que a Impresa se prepara para alienar as revistas do seu portefólio.

sexta, 25 agosto 2017 11:31
Outra OPA no horizonte dos media? A reflexão de Jorge Veríssimo

Assim, escreve Jorge Veríssimo que:

"Afirmar que estamos a assistir a uma grande mutação no sector dos media é uma 'verdade de La Palice': é tão óbvia que se torna ridículo dizê-lo.

Arrisco-me, todavia, a confirmar que, no caso português, assistimos a outras alterações recentes que decorrem, não só da mudança de paradigma no acesso aos conteúdos, e/ou da crise financeira que nos tem assolado, mas também de uma previsível mudança de players neste mercado.

Se no mês passado observámos estupefactos o anúncio da aquisição da Media Capital pelo grupo Altice, esta semana ficámos bem apreensivos com a notícia de reestruturação do grupo Impresa, que implicará alienar e/ou encerrar alguns dos títulos, entre os quais a Visão.

Ora, estamos a falar dos dois maiores grupos de comunicação a atuar em Portugal: a Media Capital e a Impresa.

Se o primeiro caso consiste na aquisição de um grupo de comunicação (que inclui a produção de conteúdos audiovisuais e digitais) por uma empresa de telecomunicações, a Altice, também ela líder de mercado na sua área de atuação; no segundo, parece que estamos a presenciar o desmembramento de uma empresa histórica, de um grupo pioneiro, que criou e lançou um jornal, desde sempre de referência, o Expresso, e o primeiro canal de televisão privada em Portugal, a SIC.

Mas, o que estará aqui a acontecer? Infelizmente, parece-nos que a razão deste reposicionamento estratégico do grupo Impresa, que se irá fixar apenas 'nas componentes do audiovisual e do digital', como referiu Francisco Pedro Pinto Balsemão no comunicado enviado às redações, advém especificamente das dificuldades financeiras do Grupo.

Aliás, ainda não se percebeu muito bem o motivo da interrupção de uma emissão de dívida do Grupo!

Bom, uma coisa é certa. Ao alienar os títulos impressos, com exceção do Expresso, o Grupo Impresa ficará mais fraco, mas, ao mesmo tempo, mais "apetecível" para ser adquirido.

A ser assim, haverá outra OPA por parte de um outro grupo de telecomunicações?

Caso esta hipótese se torne real, teremos outra empresa de telecomunicações a atuar na área da comunicação social/produção de conteúdos e, particularmente, a disputar a liderança dos mercados do audiovisual e do digital.

Provavelmente, ficaremos com o mercado mais equilibrado nestas áreas!

E os títulos impressos? Haverá interessados? Quem os irá adquirir?"

 

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quinta, 31 agosto 2017 09:16

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