Opinião

O consumidor está a perder o desejo da propriedade... e isso faz toda a diferença

O perfil do consumidor da classe média/alta, jovem, urbano e de formação superior está a mudar e muito, o que obriga a que a comunicação que lhe é dirigida tenha necessariamente de mudar também.

terça-feira, 06 fevereiro 2018 09:30
O consumidor está a perder o desejo da propriedade... e isso faz toda a diferença

 

Hoje em dia, não será tão importante como era há uns anos ter casa própria, ter carro próprio, ter casa para fins-de-semana ou mesmo ter um escritório para trabalhar.

O aluguer de uma casa em detrimento da compra permite uma mobilidade própria dos dias de hoje. Hoje estou em Lisboa, amanhã posso estar em Londres ou nos Emirados.  Com o aluguer de casa não há compromissos a longo prazo e logo aí a predisposição para mudar é outra.

A mesma flexibilidade se passa com os meios de transporte. Tanto posso alugar carro num dia, como utilizar uma scooter no dia seguinte. Tenho à disposição 24h por dia os carros da Uber, Cabify ou táxi em qualquer sítio do mundo onde me encontre e como me der mais jeito.  Não há investimento inicial, nem rendas fixas. Não há seguros, nem custos de manutenção: muito menos preocupação com o lugar de garagem.

E a mesma liberdade acontece com as chamadas “casas de férias” ou de “fins-de-semana”. Graças aos “airbnb da vida”, podemos mudar de casa e de destino de fim-de-semana sempre que nos apetecer... escolhemos praia, campo, neve, turismos rurais, alojamentos locais, hotéis, apartamentos, etc., com uma liberdade invejável e à mercê dos tempos livres, da disponibilidade financeira ou das condições atmosféricas. Graças à cada vez mais vasta oferta de companhias e voos, é tão fácil passar um fim-de-semana no norte do país como em Madrid, Paris ou Berlim.

E o próprio escritório? Esse espaço físico continua a fazer sentido? Hoje, com um portátil ou um smartphone, trabalhamos em qualquer lugar, a qualquer hora. No café, no aeroporto, em casa, é preciso é ter wi-fi. A partilha de ideias e de conhecimento, a constituição de equipas continua seguramente a fazer todo o sentido, mas será que temos de estar agarrados todos os dias ao mesmo local?

Todas estas mudanças de comportamento, de paradigma, de estilo de vida e até de valorização dos bens materiais fazem de facto muita diferença e obrigam a que a comunicação que é dirigida aos mais jovens tenha de mudar também.

As novas gerações (dos millennials, plurals e as que se seguirão) serão gerações que pouco leem jornais em papel, que praticamente não veem televisão, não ouvem rádio e pouca importância darão aos tradicionais outdoors. Passaram a ter o mundo na palma da mão e, esse sim, está permanentemente online, atualizado e disponível. E, muito importante, estas gerações têm uma extraordinária capacidade de adaptação à mudança.

Quem havia de dizer há uns anos que seria possível obter 4 ou 5 milhões de visualizações de um filme, colocando-o numa plataforma chamada YouTube e feito por jovens, brincalhões e despretensiosos, sem grandes técnicas ou preocupações, chamados youtubers?

Aconselharia um filho seu ter a profissão de youtuber? Arrisco dizer que não, mas esta é já a televisão dos jovens, e que lhes dá milhões! Aprenderam a ganhar dinheiro com os seus hobbies.

Repensar toda a estratégia, abordagem, plataformas e métodos para impactar novos targets não é um mero exercício de planeamento de media... é saber lidar com uma revolução, tecnológica sim, digital também, mas, acima de tudo, de mentalidades e de estilos de vida.

Não se olhe para estas novas gerações como fúteis ou desinformadas. Antes pelo contrário... são provavelmente as gerações mais informadas e, sobretudo, exigentes que já conhecemos.

 

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