Opinião

Os jovens adultos portugueses e a sua relação com as marcas

A fase da vida “jovem/adulta” é, por definição, uma fase de arranque da vida adulta e de mudança, pelo que é sempre, e por natureza, um período de insegurança.  Desde cedo, na fase da adolescência (2008-2014) esta geração viveu de muito perto todo o ambiente de crise económica e social que lhes incutiu um certo “pessimismo” relativamente às oportunidades de futuro.

segunda, 12 março 2018 10:58
Os jovens adultos portugueses e a sua relação com as marcas


Foram confrontados no inicio da sua vida profissional com decisões muito diferentes da geração anterior como foi o caso do trabalho incerto e para o qual muitos estavam sobre qualificados, a emigração e, de uma forma geral, dificuldades financeiras muito ativas. 

Em paralelo, são a primeira geração de “nativos digitais”, onde o conceito de partilha, da imagem e do instantâneo estão particularmente enraizados. O grupo de amigos e, consequentemente, a influência social dos pares é particularmente relevante, sendo neste contexto que surge o consumo e a relação com as marcas.

É em experiências e num leque relativamente reduzido de categorias que esta geração tende a despender maior fatia do seu orçamento. Concertos, festivais, saídas à noite, férias e viagens são “prioritários”, a roupa, com particular destaque para o calçado (ténis), a tecnologia e a alimentação são também gastos importantes. Tendem a procurar marcas globais estabelecidas, sólidas, coerentes, fortes e com sucesso. Procuram marcas que projetem uma imagem social claramente positiva dos seus utilizadores, mas com atributos racionais importantes como “user friendly”, conveniência, boa relação preço-qualidade e que inovam com lançamento frequente de novidades. Contudo, prezam nas suas opções de marcas a familiaridade/antiguidade, a forte presença, visibilidade e investimento publicitário, bem como a qualidade consistente que lhes dá confiança. A sua postura face ao marketing e à comunicação das marcas é de certa forma critica, pois por via da tecnologia têm acesso a uma grande quantidade de informação sobre as mesmas. A recomendação e avaliação crítica dos pares é decisiva especialmente as digitais a que atribuem bastante credibilidade.

Nos mais novos em particular, o “endorsement” de figuras publicas relevantes e o “product placement” têm alguma importância enquanto referências, mas a comparação entre marcas é fundamental para uma boa escolha.

Existem claramente categorias onde compram por preço como critério principal, para poderem gastar em marcas nas categorias mais relevantes, ou seja, as que lhes proporcionam verdadeiro prazer, interesse e entusiasmo. Têm muito pouca recetividade a marcas que se apresentam de forma não solicitada e que não os cativam. 

Em termos de meios esta geração desligou-se da TV tal como a conhecemos e ligou-se aos conteúdos (nomeadamente vídeos) digitais, muitas vezes com conteúdos televisivos, a que podem aceder de forma selecionada, instantaneamente e em qualquer lugar possibilitando o evitar da publicidade. Os bloqueadores de “pop-ups” são amplamente conhecidos e utilizados pois consideram a publicidade de uma forma geral intrusiva.

No meio digital referem ver anúncios nas redes sociais e no YouTube onde os softwares não conseguem bloquear, sendo que o meio não digital a que dizem prestar mais atenção é o outdoor.

Procuram fundamentalmente conteúdos lúdicos, tutoriais, música e filmes e em muitos casos seguem youtubers e vloggers com frequência e consideram um meio credível para conhecer e experimentar novos produtos.

João Marques

Consultor da Equação Lógica

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