Opinião

Os dados como ativo da organização

Se os dados e o conhecimento daí gerados são um dos maiores ativos das organizações porque existem tantas dificuldades em definir um rumo no que toca ao analytics? Por um lado, o analytics não é o negócio core das grandes organizações em Portugal, por outro, a necessidade de analisar dados e factos no contexto de negócio tem vindo a ganhar cada vez mais relevância em todas as apresentações que passam pelas salas dos membros dos conselhos de administração. A dúvida surge diariamente: o que é uma implementação com êxito de uma política de analytics numa organização? Uma tecnologia? Uma equipa? Umas centenas de processos? Um projeto de datawarehousing?

segunda, 19 novembro 2018 09:58
Os dados como ativo da organização

 

Uma tecnologia não será de certeza, já que todos os dias surgem novas tecnologias que prometem implementar “Big Data”, “Machine Learning”, “Predictive Modelling” e outros jargões ligados à área da gestão da informação com uma rapidez e adaptabilidade que vão gerar mais rapidez, mais dinheiro, mais visão, mais estratégia de forma exponencial. O que raramente expõem é o argumento de que a mudança de um mindset baseado em opiniões para um baseado em factos demora uns largos anos e necessita de patrocínio de grande parte dos líderes dentro da organização.

Uma equipa, muito menos: podem contratar dez datas scientists/analysts/”ninjas de topo” que ,se ocuparem 90% do seu tempo a trabalhar em Excel e a tentar navegar no meio de dados completamente desorganizados e confusos, a evolução na organização situou-se apenas na folha salarial. Centenas de processos não será de certeza, já que causam burocracia. A multiplicação de tarefas e de pessoas a fazerem as mesmas coisas é o oposto daquilo que o analytics deveria trazer: maior agilidade, menor tempo na tomada de decisão e colocar a informação no tempo certo, na altura certa e no formato correto.

O sucesso da implementação de uma estratégia analítica prende-se com a mudança de mentalidades. Na organização, reconhecer que um computador consegue extrair factos que vão contra o conhecimento à priori. Na humildade de saber que as hipóteses e conclusões que tínhamos formulado enquanto organização podem estar erradas e não deixarmos que o “medo” de sermos ultrapassados pela capacidade de processar números de um computador seja um entrave à melhoria da análise e tratamento de dados.

É necessário saber que a curva de investimento em analytics não tem um break even imediato. Pouco importa a denominação do projeto se não existir vontade de integrar o conhecimento gerado no dia a dia da organização. De que serve desenvolver um modelo ensemble que mistura 20 técnicas preditivas por cima de uma complexidade de variáveis logarítmicas e exponenciais com todas as métricas de avaliação de modelos acima da média se, no final, não é acionável? Se não é implementado, melhorado e avaliado continuamente? Se a organização não acredita que isso pode trazer valor ao negócio?

A capacidade de gerir a informação gerada pelos stakeholders da organização é de facto capaz de minimizar custos, aumentar a produtividade dos recursos humanos e maximizar a eficiência das operações, mas não tem retorno imediato. É um investimento de longo prazo que requer paciência, perseverança e foco. Seis das dez organizações com maior capitalização bolsista têm como seu principal ativo a informação gerada acerca dos seus utilizadores e consumidores. Se os dados são a nova moeda da economia digital, existem medidas possíveis para estreitar o caminho para a riqueza ou as organizações que optem por não criar uma estratégia analítica irão acabar por se dissipar no próximo século?

 

Ivo Bernardo, cofundador e Head of Strategy da IMSHARE Conference

 

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

bt nl

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing

Melhores Briefing