Opinião

Que 2019 traga o fim do 16:9

  1. Quase a mudar de década. As redes sociais já cá andam há mais de uma. E, ainda assim, 99% dos conteúdos que vejo no Instagram e Facebook das marcas – e agências – portuguesas é em 16:9. Mas que raio?
terça, 15 janeiro 2019 09:59
Que 2019 traga o fim do 16:9

Não entendo porquê. Certamente não será por preguiça dos criativos em criar para as plataformas onde passam horas por dia, sabendo que ocupar apenas 20% do ecrã dos telemóveis é substancialmente menos impactante do que ocupar 70%. Ainda para mais, criar para Facebook e Instagram é tão mais ‘humano’ na medida que a) o utilizador tem o ecrã na sua mão a menos de 50cm dos seus olhos e b), sendo o ecrã mais pequeno que o de uma televisão, a história retratada tem – ou deveria ter – uma maior ‘interacção’ e proximidade com o utilizador.

Vai um exemplo? Vai. Em 2016, a Jeep transmitiu um spot publicitário durante o Super Bowl. Sim, na televisão. E, sim, em 2:3 em vez de 16:9. Porquê, porque sabia que na televisão seria um spot bonitinho para os cerca de 100 milhões de telespectadores, mas nas redes sociais iria transcender-se pela forma como foi enquadrado, planeado e executado. Os olhos das pessoas nos retratos prescrutam directamente os olhos do utilizador do telemóvel, que, por conseguinte, preenchem o vazio que o texto deixa em harmonia com os faróis – ou os olhos – dos Jeeps.

Aqui. E escusado será dizer para verem isto no telemóvel e não no computador.

Espero também que não seja por purismo dos realizadores portugueses que, ao não conseguirem olhar para lá do 16:9 (às vezes até 21:9 vejo pelas redes…), estão a fechar as portas às plataformas onde as pessoas mais passam o seu tempo (por exemplo, o tempo passado nas Stories do Instagram (em 9:16) já passou o tempo gasto no feed em si). E, como devem calcular, editar um filme originalmente pensado para 16:9 para 1:1, 2:3 ou 9:16 só dá barraca. Vai outro exemplo? Vai. Há já alguns anos que passo este spot de auto-promoçāo de uma produtora de filmes verticais como exemplo de que, quando concebido especificamente para mobile, fica um must. De novo, para ser visto no telemóvel, modo vertical full screen.

E essa é outra. Não dêem a desculpa que as pessoas podem simplesmente virar o telemóvel ou mesmo os tablets para verem o vosso filme 16:9, quando esse não é o comportamento natural do utilizador. Prova é que nem Facebook nem Instagram viram os seus feeds de vertical para horizontal. Daí recomendarem as técnicas de ediçāo Heartbeat, Perspectives, Stacked ou Split Screen para captar e manter a atenção dos utilizadores que, como se sabe, desce a pique passados 3 segundos.

Vai outro exemplo. Vai. Trailer de “Polar”, adaptação da Netflix – e estes sabem criar conteúdos para as plataformas móveis – a estrear este ano. De novo, para ver em mobile.

Este Natal vi um spot português do Lidl editado como deve ser para Facebook e Instagram. Não me record da agência ou de quem o postou – mas lembro-me de ter dado os parabéns.

Que glorioso que foi! Vá lá, já chega de 16:9. 

 

Frederico Roberto, EMEA Senior Creative Director da OLIVER Agency

 

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