Opinião

Mais marcas com propósito e menos marcas de propósito

Essência. Uma palavra que encerra uma data de significados e da qual não podemos deixar de falar ao abordar a definição atual de uma marca. Quando pensei sobre o tema, este foi o primeiro atributo que surgiu e de uso recorrente no meu dia a dia.

quarta, 08 janeiro 2020 12:04
Mais marcas com propósito e menos marcas de propósito

 

Uma marca é um organismo vivo e, tal como nós, seres humanos, em constante evolução, com valores próprios, sentimentos, atitudes e, acima de tudo, uma voz.

Uma essência que pode evoluir, mas não pode mudar. É inata, intrínseca, clara. Todo e qualquer passo tem de ser autêntico, verdadeiro, coerente e validar todos os que foram dados anteriormente.

Falamos para um público cada vez mais exigente, evoluído e exposto a uma quantidade inesgotável de informação de qualidade. Um público que sente e distingue com facilidade o que é verdadeiro daquilo que não é. O grande desafio consiste em despertar a sua atenção, evitar permanecer no anonimato ruidoso criando confiança, gerando identificação e agregando valor, de modo a que, organicamente e juntos, possam criar memórias, experiências e uma relação verdadeira. Uma relação que se constrói com verdade e com um propósito muito claro.

Não podemos considerar que o produto tenha passado para segundo plano, porque naturalmente tem de honrar a relação de confiança com o consumidor, mas a marca em si vai muito além da sua função ou estética associada. O produto é o veículo de uma mensagem muito maior e poderosa, sendo que o pilar reside no valor que acrescenta a cada indivíduo e à sociedade.

É uma metáfora muito interessante, mas a verdade é que essa é uma triagem natural e habitual nas nossas relações interpessoais e que nos permite decidir quem é merecedor de uma relação próxima e quem não é. No universo das marcas funciona exatamente da mesma forma. 

Essa evolução e entrega motivou as marcas a olharem para dentro, a repensarem o seu comportamento, o seu papel e entenderem a sua relevância na vida das pessoas. Isso despertou o aparecimento de movimentos transformacionais. Exemplo disso é o papel do design inclusivo, cujo foco assenta nas pessoas e nas suas necessidades, mais do que na estética. Um movimento do qual resultam produtos, com significado, que promovem a inclusão e soluções sustentáveis com real impacto e relevo na nossa sociedade. Uma abordagem humana capaz de saltar nichos e trabalhar de uma forma global, motivada por desafios e necessidades sociais, políticas e culturais. Traduzindo? Uma filosofia de vida sincera, que dite o tom de um discurso, do comportamento e chegue às pessoas de uma forma verdadeira e apaixonada.

São já muitas as sementes que dão frutos um pouco por todo o mundo e o consumidor tem tido um papel preponderante neste caminho. Assistimos a uma mudança, onde o preço continua, inevitavelmente, a ser um fator importante, mas o ponto de vista humano e de responsabilidade social tem assumido, cada vez mais, um peso decisivo, fomentando uma relação bilateral (marca - consumidor), consistente, mais próxima e mais meaningful.

Se muitas vezes ouvimos dizer que o segredo é a alma do negócio, eu gosto de pensar o contrário, que a alma é o segredo do negócio. Por alma entendam-se, os valores, a atitude, o fazer a diferença com sentido e com propósito.

 

Filipa Bello, Head of Brand and Creative Design da ZIPPY

 

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quarta, 08 janeiro 2020 12:31

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