Opinião

Sabe quem está a torcer pela sua empresa?

Não gostar de futebol tem algumas desvantagens. Fico de fora de muitas conversas, e, às vezes, nem faço ideia do que estão a falar à minha volta. 

terça-feira, 03 março 2020 12:10
Sabe quem está a torcer pela sua empresa?

 

Mas também me dá alguns privilégios. Por exemplo, o de ver em toda a sua estranheza alguns fenómenos ligados à bola.

O episódio, por exemplo, que foi notícia há uns meses, da venda do Cristiano Ronaldo para o Juventus. Não é estranho um simples atleta valer tantos milhões para um clube?

Eu sei, o Ronaldo não é “um simples atleta”. E a explicação, como já tinha acontecido na venda de Neymar para o Paris Saint-Germain, costuma vir na semana seguinte.

“Só na primeira semana o clube vendeu 30 milhões em camisolas”.

O jogador nem entrou em campo e o investimento já está no bom caminho para gerar retorno, a uma velocidade impressionante.

Porquê? Porque tem muitos fãs. E os fãs são capazes de fazer coisas incríveis para mostrar ao mundo a sua paixão.

E a sua empresa, tem adeptos?

Fique tranquilo: não vou sugerir que a sua empresa consiga ter tantos fãs como o Ronaldo. Mas a ideia de ter quem torça por ela – em vez de apenas relações de negócio – pode ser poderosa para o seu negócio.

Só por existirem, todas as empresas criam relações com muita gente. Colaboradores, clientes, fornecedores, parceiros de negócio, investidores…

Quantos desses vínculos podem evoluir para uma ligação como a que o adepto tem com quem admira?

Há muitas vantagens. O fã do Ronaldo gosta dele mesmo quando erra um penalti ou vai jogar para uma equipa desconhecida. Entre o ídolo e o adepto há um contrato implícito que parte do desempenho objetivo, mas vai muito além.

Para a sua marca é importante ter clientes fiéis, mas melhor ainda é ter adeptos. Pessoas que gostam dela, primeiro, porque aprovam o seu desempenho. Mas que, depois, gostam porque sim.

A ordem, aliás, frequentemente, é a inversa: o fã primeiro gosta da marca. Quando a usa, é já com uma predisposição favorável – e então aprova, sem surpresa, o seu desempenho.

Isto não torna apenas mais fácil conseguir clientes, colaboradores e parceiros. É também um seguro para os momentos difíceis. Adeptos xingam, reclamam, até podem vaiar, mas relutam em abandonar o seu clube.

Tudo isto também vale para as empresas porque as relações de negócio não se baseiam principalmente na razão. Fazemos negócio com pessoas com quem nos identificamos. Um adepto é alguém que se identifica – com outra pessoa, com um clube, com um país… Porque não com a sua empresa?

“OK, mas a minha empresa não é o Ronaldo”.

Algumas marcas de consumo têm verdadeiros adeptos. Qual é a diferença, por exemplo, entre passar horas na fila para ser o primeiro a ter um iPhone e sofrer por um clube de futebol?

Nos mercados business-to-business, esta devoção por uma marca é mais rara, mas não há razão para não acontecer. Até porque os recursos para cultivar adeptos nunca estiveram tão ao alcance de todo o tipo de empresas.

Com os meios digitais, todas podem comunicar com uma frequência e intensidade inéditas. Podem mostrar produtos e serviços. Podem partilhar o que sabem. Podem, principalmente, propor às suas audiências algo com que se identifiquem.

Todos nós gostamos de ser adeptos: adeptos de uma ideia, de uma causa, de uma forma de ver o mundo, de uma ambição, de um estilo… 

Algumas dessas identificações são fluidas e efémeras. Outras são duráveis. Mas todas nascem de algo que alguém partilhou connosco – de um estímulo que nos chega através de algum tipo de comunicação.

Pense nisto: o que pode incluir na sua comunicação que permita que alguém se identifique com ela? Pode ser uma história. Uma opinião. Algo que sabe e que a sua audiência também deveria saber. Algo simples, mas suficientemente interessante para justificar um email, um post, um vídeo…

Nunca houve tantas formas de falar com quem é importante para o seu negócio. Sugiro que o faça hoje – e não pare mais. Pouco a pouco, vai ver colaboradores, clientes, parceiros de negócio e até desconhecidos que veem a sua marca de outra forma. Começam a admirá-la. A identificar-se. A torcer por ela.

 

Jayme Kopke, diretor-geral da Hamlet

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

 

bt nl

O Outdoor Honesto

À Escolha do Consumidor

Edições Especiais

Assinatura Mensal
Edição MensalE-paper

Facebriefing