Opinião

Let Internet entertain you

Em 2015, Reed Hastings, cofundador e CEO da Netflix, defendeu que não teríamos de esperar muito até toda a televisão estar online. Pelas suas contas, tal aconteceria (acontecerá!) no período de 10-20 anos. Em causa estavam os incontestáveis avanços digitais, que estavam já a ditar uma revolução sem precedentes no mundo da televisão e dos conteúdos.

segunda-feira, 15 março 2021 12:51
Let Internet entertain you

 

Sem ser grande fã da futurologia, temos de dar algum crédito a esta previsão de Hastings. Hoje, vivemos rodeados de ecrãs, no plural. Não é apenas o ecrã do TV, que, apesar de manter um lugar de destaque no layout da sala, há muito que perdeu o monopólio. Os ecrãs são, hoje, de variados tipos, as soluções idem (Netflix, HBO, RTP Play, Disney+), o acesso é mainstream e o conteúdo… bom, o conteúdo é, cada vez mais, entretenimento.

Segundo a Marktest, em 2003, quase 70% dos indivíduos que costumavam utilizar a Internet faziam-no em casa. E cerca de 60% faziam-no para fins profissionais, 57,8% para pesquisar conteúdos noticiosos. Digo-vos mais: 1,6M de portugueses costumam ver TV online, segundo resultados do estudo Bareme Internet 2020, divulgado pela Marktest. Desses, 32% tem menos de 35 anos face a 3% com mais de 64 anos de idade.

Estes últimos nunca imaginaram o potencial que o online viria a ter num curto prazo, encontrando o “seu” entretenimento no ecrã do televisor, ao sintonizar o João Baião, o macaco Adriano e as Baionetes no Big Show SIC, cuja estreia aconteceu há mais de 20 anos e lançou o estilo “TV em movimento”. Estávamos perante um formato inovador de entretenimento. E é esse formato que agora as gerações mais novas (e não só) procuram. Pode ser a Luccas Toon, o maior canal infantil do YouTube no Brasil, com mais de 33M de subscritores, ou o Bruno Nogueira com o “Como é que o Bicho Mexe?” no seu Instagram.

Já percebemos que tem tudo a ver com uma nova maneira de se ver TV, hoje entendida como o conteúdo que nos chega/impacta através de um ecrã.

E como retirar audiências ao suporte tradicional e levar os melhores conteúdos para os ecrãs mais pequenos do computador ou smartphone? Há ingredientes indispensáveis: novidade, diferenciação, pertinência e entretenimento. No final de novembro, resgatámos o conceito da Roda da Sorte e o seu inseparável Herman José, sucesso televisivo do início da década de 90, reinventando-o para uma ação de vendas 100% digital. Quem assistiu percebeu que as semelhanças desse conteúdo com a última emissão daquele programa na televisão da altura não eram pura coincidência, numa fusão perfeita do mundo televisivo com o mundo atual da Internet, em que as vendas são importantes, mas o saber entreter vale muito mais.

Em anos atípicos como 2020 e 2021, essa habilidade de entretenimento ganha um alcance e importância ainda maiores, permitindo às marcas fazerem realmente a diferença.

Algo que poderá abrir ou, pelo menos, facilitar o caminho para o social commerce ou para o live streaming shopping, negócios que nascem de forma nativa na Internet. Para os indivíduos da minha geração, será uma espécie de televendas que víamos no televisor e que, daqui a um par de anos, ou mesmo meses (sem querer fazer futurologia!), estará always on na net, para quem estiver interessado. E, acreditem, vai haver muita gente interessada. Bem-vindos ao novo e maravilhoso mundo da Internet em movimento.

P.S.: Tive a ideia de escrever este artigo quando, depois de filmarmos a tal ação com o Herman José, o Jorge Trindade, diretor criativo da Big Fish, exclamou, enquanto celebrávamos o final do último plano: “Eh pá, isto já não é televisão em movimento, agora é Internet em movimento”. Obrigado, Jorge, sábias palavras!

 

António Fuzeta da Ponte, diretor de Marca e Comunicação da Worten

 

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