Opinião

A Internet está a matar (lentamente?) a televisão tradicional

Hoje, o consumidor vê conteúdo vídeo onde, quando e como quiser. No entanto, esta conveniência tornou o ecossistema de consumo audiovisual mais complexo do que parece. Para percebermos a evolução do share televisivo em Portugal: em 2002: RTP1 21%, SIC 31%, TVI 31%, Cabo/Outros 10%; em 2019: RTP1 12%, SIC 19%, TVI 15%, Cabo/Outros 49% *.

quarta-feira, 17 março 2021 10:08
A Internet está a matar (lentamente?) a televisão tradicional

 

O vídeo entrou em todo o lado e os “Outros” ganham a guerra das audiências. O vídeo está praticamente em todas as redes sociais, ao mesmo tempo que a televisão tradicional vai perdendo relevância para os consumidores de vídeo. O papel do programador da televisão tradicional foi substituído pela liberdade de escolha do consumidor.

Não foi assim há tanto tempo que os únicos meios onde podíamos ver imagens em movimento eram o cinema e a TV. A televisão passou a ser mais um meio de distribuição do conteúdo vídeo. E o mesmo conteúdo é líquido, não está escravizado a um único meio, sobrevive ao meio de origem e pode ser redistribuído em todos os outros.

Esta disrupção tecnológica trouxe novas oportunidades, novos modelos de negócio que já estão a consolidar em cima destes novos hábitos. O que os meios de comunicação social, e especificamente a televisão linear, vão ter de perceber é se ainda estão dentro da cadeia de valor desta indústria. A história de mercearias vs. hipermercados, ou taxistas vs. Uber volta a repetir-se.

Como vimos atrás, a velhinha guerra de audiências tem agora outros campos de batalha bem mais digitais. Os gigantes tecnológicos estão a tomar conta do mercado do conteúdo. Google (YouTube), Netflix, Apple, Amazon estão a fazer conteúdo e a distribuí-lo directamente, pondo em risco o modelo de Pay-TV dos operadores de telecomunicações.

Os próprios construtores de dispositivos TV, agora Smart TV, ao colocarem o acesso directo a serviços como o YouTube ou a Netflix, aceleram a adaptação e alteram os hábitos de consumo.

O advento do 5G traz consigo o aumento da largura de banda, que vai proporcionar aos mercados e aos gigantes tecnológicos explorarem mais novas formas de conteúdos e modelos de distribuição. Não é por acaso que tivemos o embaixador dos EUA a ameaçar Portugal relativamente à possível parceria Portugal - China nesta matéria. A velocidade do digital e a capacidade de banda larga é a nova rota da seda para o conteúdo.

Uma abordagem mais holística às audiências

A televisão linear está a perder publicidade, mas o mesmo não acontece no digital pois continua a crescer. Se a TV mantiver a mesma abordagem cristalizada e conservadora em relação às audiências, vamos ver uma curva descendente, uma ravina mesmo muito inclinada. Em vez de audiências vamos medir big data com todos os dados demográficos com que o digital já nos habituou. Uma audiência cross-media.

Segundo a eMarketer, mais de 30 milhões de residências americanas vão cancelar contrato de TV por cabo. Em 2024, mais de um terço dos lares americanos terá cancelado este serviço.

Felizmente os canais em Portugal estão a reagir. RTP Play, TVI Player e o novo serviço da SIC, a OPTO (o mais próximo da NETFLIX), são a prova de que o mercado está atento às novas formas de consumo.

Não é a nostalgia da televisão linear tradicional que vai salvar o modelo de negócio, é a aposta na inovação.

A indiferença ao ecossistema digital tem um preço, como em todas as disrupções tecnológicas e revoluções de mercado... ou te adaptas ou morres… because Darwin.

* (fonte Obercom- Anuário da Comunicação — 2019)

João Pico, CEO da Comprimido

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quarta-feira, 17 março 2021 10:11

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