Opinião

Teletrabalho: o reset das normas

De uma hora para a outra, todos os que se enquadravam numa função de ‘secretária’ tiveram de fazer as malas e ir para casa. Se, até março de 2020, achávamos que o mundo estava a mudar rapidamente, em um ano tivemos de aprender à velocidade da luz a colocar o prefixo ‘RE’ em quase todos os verbos da gestão e do mundo do trabalho: reformular, refazer, reequacionar, repensar, reposicionar. O mundo dos negócios mudou e o ritmo da mudança nunca mais será lento. A ‘tecnologização’ imposta em quase todos os setores do mercado, mudou vidas, conceitos e modelos de negócio.

quarta-feira, 24 novembro 2021 11:30
Teletrabalho: o reset das normas

Emergiu um novo paradigma no mundo do trabalho, marcado pela flexibilidade nos modelos de trabalho e perfis profissionais: as empresas começaram a privilegiar na sua força de trabalho a polivalência, a capacidade de responder perante o inesperado e a empatia como mais-valias para enfrentar uma mudança quase súbita, como a que obrigou a COVID-19. Sem tempo útil para uma requalificação de emergência, a tendência é que as equipas sejam cada vez mais pequenas e, com isso, há a necessidade de ter mais flexibilidade na alocação de recursos. Tendencialmente, as organizações procuram perfis profissionais mais generalistas, e esta será uma herança COVID-19 que é transversal a todos os setores, com as limitações da grande complexidade técnica requerida por algumas atividades, onde é naturalmente utópico pensar no conceito de generalista.

Com a esmagadora maioria da sua força de trabalho em regime de trabalho à distância, as empresas enfrentaram o desafio de um quotidiano em que as pessoas passaram a comunicar em frente ao monitor. Pela primeira vez, a exceção do trabalhar em casa foi a regra e com ela surgiu um ‘Admirável Mundo Novo’ recheado de desafios para empresas e profissionais.

Em boa verdade, nem todas as pessoas têm perfil para conseguir ser produtivas em teletrabalho. Características como auto liderança e boa capacidade de auto avaliação são essenciais. São mais tópicos individuais do que organizacionais os que determinam o sucesso desta modalidade. Se estes são requisitos do funcionário, à liderança de equipas à distância acrescem outras exigências, pois enfatiza ainda mais a capacidade e carisma do líder: estar presente através de um monitor não consegue ser feito sem treino e skills específicos.

Mas, este é um dado com que empresas e profissionais têm de lidar neste presente já adaptado, porque o teletrabalho veio para ficar. Muito provavelmente não a tempo integral, mas é agora natural que haja também maior flexibilidade de horários, com tempos repartidos entre o trabalho presencial e a partir de casa. Tendencialmente, as organizações farão um crescente investimento no bem-estar dos seus recursos, numa vertente holística de assegurar que estão confortáveis no desempenho das suas funções, em termos profissionais, mentais e emocionais.

Tal sugere a crescente importância do novo perfil profissional mais generalista e flexível, que será natural e progressivo, embora a ritmo acelerado, e deverá fazer parte dos planos de formação, quer nos programas de integração das empresas, quer de indução. Mas há que reforçar, que, independentemente dos planos de formação disponibilizados pelas empresas, são as soft skills dos profissionais que vão fazer muita diferença no sucesso individual das carreiras e no conjunto das equipas de cada organização.

Será, com certeza, uma vantagem competitiva em termos de continuidade e velocidade de reação das empresas enquadrar a flexibilidade dos modelos de trabalho e perfis profissionais mais generalistas. E quem estiver preparado para o fazer sem oferecer resistências, sairá desta crise mais à frente. Empresas e profissionais.

 

Carla Rebelo, CEO da Adecco Portugal

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