Opinião

Transição digital, internacionalização e e-commerce: o universo ao alcance de um bilhete de identidade

É consensual que os consumidores assumem atualmente um papel central nas opções estratégicas e operacionais das empresas. A agilidade de resposta às suas necessidades e expectativas é fator crítico de sucesso na experimentação, repetição e – corolário da experiência – fidelização.

segunda-feira, 28 março 2022 11:37
Transição digital, internacionalização e e-commerce: o universo ao alcance de um bilhete de identidade

Cada vez mais exigente e informado, o consumidor determina aspetos fundamentais da cadeia de abastecimento: da conceção dos produtos à distribuição, passando pelo planeamento estratégico e pelas abordagens imersivas e experienciais que procuram identificar tendências e recolher insights. Esta interconexão entre consumidor, produtor e prestador de serviços ao longo da cadeia de valor tem vindo a designar-se por gestão 4.0, uma abordagem assente na transição digital, para promover a competitividade e eficiência de empresas e marcas no mercado global.

Neste novo contexto, os dados – a informação de produto – serão estruturantes na gestão das marcas. O contexto pandémico, em particular em Portugal, veio acelerar exponencialmente a constatação da importância de uma gestão cuidada dos dados de produto e consagrar o reconhecimento do seu potencial: a presença em plataformas de comércio digital, a integração em marketplaces, o e-commerce, a internacionalização.

Segundo o “Shopping Index” da Salesforce, no primeiro trimestre de 2021, as receitas digitais globais cresceram 58%, impulsionadas pela combinação do crescimento geral do tráfego online (27%) e o aumento dos gastos dos consumidores em sites (31%).

Localmente, a SIBS Analytics revela que o e-commerce volta a ser um indicador relevante na dinamização do consumo, tendo registado, em janeiro 2021, um incremento de 37% das compras online, em comparação com período homólogo. 

Parecem estar reunidas as condições a reserva de espaço na “montra digital”. Ora, se é verdade que “a necessidade aguça o engenho”, talvez não tenha havido tempo suficiente para uma adequada preparação. Não é tarde, mas, se é para estar, “que seja em bom”. Que não se deixem entreabertas brechas à contrafação, que a informação disponibilizada seja credível, verificável e acessível, para evitar retrocessos e um impacto negativo na reputação das marcas e confiança dos consumidores.

Num contexto em que a diferenciação é fundamental, garantir a partilha de dados de qualidade é condição elementar. O valor dos dados aumenta na proporção das oportunidades de rastreabilidade que oferecem: são tanto mais valiosos quanto mais fiável é a descrição dos seus atributos e quanto mais permitem conhecer sobre a origem e as condições de produção, armazenamento e distribuição.  

E não estamos a falar de “rocket science”, estamos a falar de transição digital assente em suportes elementares: um bilhete de identidade de produto e uma plataforma global de sincronização de dados, assente em standards internacionalmente reconhecidos. Que se crie para os produtos um bilhete de identidade, o suporte que nos apresenta enquanto indivíduos e que pode apresentar cada produto com os seus atributos únicos, exclusivos e diferenciados. Que se subscrevam plataformas centralizadas, acessíveis, credíveis, verificadas por entidades autorizadas, a que todos os elos das cadeias de valor possam aceder.

Que se procurem plataformas certificadas de utilização simples, infraestruturas tecnológicas que permitam gerir de forma integrada todo o ciclo de vida dos produtos, o que normalmente se designa por Product Information Management (PIM), bem com a ligação aos sistemas internos das empresas, tornando as plataformas ferramentas fundamentais na gestão de informação sobre produtos.

A transição digital, sobretudo no que à gestão de marketing e vendas se refere, tem múltiplas dimensões. Há que valorizar as soluções que facilitam o trabalho dos gestores e promovem a integração. Parece uma quimera dispor, num único local, da possibilidade de gerir produtos – da criação à partilha com clientes –, respeitando todos os requisitos aplicáveis? Mas não é – pode ser a realidade. Não são muitos os ecossistemas digitais certificados disponíveis com estas características, mas existem.

Estamos já muito além das questões legais, premissa de uma atuação responsável das marcas nos mundos físico e digital. Estamos a garantir a segurança e transparência da informação ao consumidor que prevê o Regulamento (UE) n.º 1169/2011, do Parlamento Europeu e do Conselho, mas… mais à frente: estamos no domínio da maximização da eficiência e projeção internacional das marcas, que se tornam assim visíveis e acessíveis no mercado digital global, pelos seus principais embaixadores – os produtos –, com atributos bem definidos e sistematizados. Quem está connosco?

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