Opinião

Gerir o futuro: não deixar para amanhã o que aconteceu ontem

Os últimos anos vieram desafiar a ordem económica mundial sem precedentes, perante factos que muito poucos previam ou que pudessem admitir vir a ser uma realidade tão devastadora para o bem-estar das populações, num sentimento alinhado à escala global.

terça-feira, 03 maio 2022 10:42
Gerir o futuro: não deixar para amanhã o que aconteceu ontem

Mas, será que estes acontecimentos, aos quais podemos juntar o ambiente de guerra que se instalou no Leste da Europa, eram de todo imprevisíveis? Qual é verdadeiramente a distância que hoje nos separa do futuro?

Prever o futuro sempre foi historicamente um acto icónico para a humanidade pelas mais diversas circunstâncias, e embora não existam respostas exactas e infalíveis, nada impede que alguém possa imaginar o futuro, com maior ou menor grau de racionalidade, quer baseando-se em dados concretos e fiáveis, quer através do seu instinto (gut feeling).

Todos os fenómenos de crise trazem consigo lições de aprendizagem que nem sempre são tidas em conta para experiências futuras em determinadas áreas da Gestão – como a estratégia, a inovação, o marketing ou os recursos humanos, por exemplo – onde alguns dos seus fundamentos e pressupostos foram idealizados e aperfeiçoados para funcionarem em ambientes significativamente diferentes ou menos complexos em comparação com os tempos actuais.

Alguns cenários de crise libertam avisos antecipados mas outros são completamente inesperados, tal como os movimentos de disrupção estratégica que ameaçam completamente o status quo de indústrias e sectores, colocando em causa os modelos de negócio.

É justamente este o grande desafio das empresas que ambicionam estar sempre na linha da frente com as suas ideias revolucionárias, e que se diferenciam daquelas que tentam desenvolver os seus negócios no fio-da-navalha e assim prevalecem até “morrerem na praia” devido à constante precaridade da visão que possuem sobre as mudanças que ocorrem no Mundo e os seus efeitos imediatos nas respectivas actividades.

Perante todo este contexto, nunca foi tão oportuno como agora estudar o futuro, gerindo sobretudo a sua incerteza extrema relativamente à magnitude, duração e rapidez dos seus factores de mudança.

Esta abordagem implica, naturalmente, novas formas de trabalhar e orientar as operações, mas acima de tudo significa um completo virar de página na cultura de liderança que conduza à construção de mentalidades abertas a estas mudanças.

Eventos que se movem rapidamente exigem organizações ágeis e decisões rápidas que consigam, ao mesmo tempo, manter a sustentabilidade do negócio e aproveitar as oportunidades decorrentes.

Tal como hoje se monitoriza em tempo real a ocorrência de catástrofes naturais de elevada sinistralidade (variações térmicas, sismos, tsunamis, etc.) pelo seu efeito potencialmente devastador, o mesmo contexto previsional deveria ser aplicado com as devidas proporções à realidade empresarial, considerando os fenómenos que podem desencadear ou acelerar transformações extremas nos mercados.

A tecnologia disponível em sistemas de inteligência competitiva (CI) e artificial (AI) permite criar simuladores de realidades afectas aos elementos nevrálgicos de qualquer negócio no sentido de responder aos “alarmes” no ambiente concorrencial ou onde menos se espera.

O propósito das empresas, apoiado em sistemas de market sensing e no conhecimento individualizado dos seus clientes deverá ser a bússola, estratégica e operacional, que norteia as atividades no caminho para o futuro, colocando a pessoa no centro e garantindo clareza e consistência na incerteza de uma rápida tomada de decisão.

A adopção de metodologias e práticas previsionais avançadas (foresight) na criação do conhecimento permite lidar com o futuro numa perspectiva mais “tangível” e com maior proximidade, ajudando as empresas e as suas marcas a mitigarem o risco nas tarefas que justificam, afinal, a sua existência – A criação de valor.

 

 

Luiz Moutinho

Especialista em Marketing, Gestão e Biometria e Neurociências aplicadas ao Marketing. Dedica-se à investigação sobre o futuro. Professor universitário em Portugal, Inglaterra e nas Ilhas Fiji. Fundador e editor-in-chief do Journal of Modelling in Management (JM2) e co-editor-in-chief do International Research Journal Innovative Marketing.

Nuno Teixeira

Fundador da Data Tailors, consultora especialista em marketing intelligence. Investigador sénior do Marketing FutureCast Lab e consultor em várias organizações. Professor-assistente convidado no ISCTE-IUL e nos programas do INDEG-ISCTE, nas áreas de Novas Tendências de Marketing, Estudos de Mercado e Comportamento do Consumidor.

André Zeferino

Fundador e CEO da consultora Work Value Intelligence, colaborando em diversas indústrias e setores na implementação de estratégias e práticas de inovação. Docente convidado em programas de pós-graduação e Executive Education em várias instituições de ensino nacionais.

 

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