Opinião

As marcas e o poder do consumidor

A sustentabilidade, entendida nos seus três pilares, ambiental, social e económico, está na ordem do dia. Depois de muitos anos remetida à categoria de nicho, passou definitivamente para o “mainstream”, tornando-se incontornável. Para as empresas e marcas, traduz-se numa estratégia de posicionamento ESG – Environment, Social, Governance ou “triple bottom line”.

quinta-feira, 23 junho 2022 12:12
As marcas e o poder do consumidor

Com efeito, as marcas que não fizerem um eficaz alinhamento da sua visão, missão e valores com os atributos da sustentabilidade correm sérios riscos de viabilidade. Os produtos e serviços deverão (terão de) incorporar esses atributos e os consumidores, cada vez mais exigentes, avaliarão a autenticidade da oferta. Em cada compra ou rejeição, o consumidor vota. E as marcas ouvem...

O “green” ou “social washing” serão cada vez mais penalizados.

Os consumidores, sobretudo os que representam as novas gerações, integram cada vez mais nos seus critérios de compra os valores da sustentabilidade e “obrigam” as marcas a ter capacidade de resposta nos seus produtos e serviços. É certo, também, que muitas empresas que lideram a transformação “educam” os seus clientes e repercutem os valores da sustentabilidade em toda a cadeia de valor e junto dos seus stakeholders. Estas duas forças conjugadas, clientes e empresas, são o motor da transformação e ajudam na criação de nova legislação, regulação, bem como na promoção de uma fiscalidade mais verde. A transição para uma economia circular e regenerativa surge como resposta ao desafio de reduzir o enorme desperdício que o modelo linear (ainda vigente) provoca. De facto, o modelo da extração-produção-consumo e lixo gera profundas assimetrias. A nossa ambição coletiva deverá passar pela emulação dos princípios da natureza, cuja lei Lavoisier bem exprimiu: “Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Parece utopia, mas uma economia de zero desperdício é não só desejável, como possível... e temos grande margem de melhoria tais as ineficiências do sistema.

Vivemos uma época de enormes desafios civilizacionais, de que destaco, até pela sua íntima relação, a transição energética e a transição digital que a todos nos convocam pelo profundo impacto que têm nas pessoas e nas organizações.

A tecnologia como facilitadora de processos de transformação tem um decisivo contributo, nomeadamente em relação às energias renováveis. No caminho para a descarbonização (podemos agradecer às energias fósseis que nos trouxeram até aqui), o “mix” das renováveis terá progressivamente maior peso e as tecnologias de armazenamento e transporte conhecerão decisivas evoluções que permitirão aproveitar toda a energia intermitente gerada. O abundante hidrogénio, sobretudo o verde, contribuirá também para uma autêntica revolução energética que mudará muitas geografias. Portugal tem condições muito favoráveis para fazer parte desse futuro.

 

Pedro Norton de Matos, fundador do Greenfest e do Bluefest Portugal

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