Opinião

Música - o desafio das novas plataformas digitais

Música – o desafio das novas plataformas digitais
A APDC promoveu esta semana, em Lisboa, um debate sobre o impacto da era digital no mundo da música e do entretenimento. Ou de como a internet está a mudar a indústria do entretenimento. Foi uma conferência tão sugestiva como o tema que a lançou: "Digital Killed The Radio Star?".
sexta-feira, 28 janeiro 2011 11:02


O debate contou com dois convidados especiais e vários especialistas da cena nacional e internacional nas áreas da música, media e Telecom. Destaco os convidados especiais: Steven Greenberb – conhecido produtor de música que detém o projecto independente da S-Curve Records, sediada em Nova Iorque – e Yoni Bloch – co-fundador e CEO da Interlude – Interactive Video Technology.

Foram muitas as ideias lançadas e delas tentarei tirar o essencial. Principal conclusão: o sucesso dos conteúdos pagos pela Internet passa pelo móvel. Já poucas dúvidas haverá de que a solução para rendibilizar os conteúdos distribuídos - e em muitos casos pirateados – está em investir em plataformas móveis que cada vez mais se apresentam como a solução. Segundo Steven Greenberg, os utilizadores estarão mais disponíveis para pagar por serviços online destinados a equipamentos como telemóveis ou tablets. Há por isso que apostar no desenvolvimento de aplicações e serviços para móveis. Igualmente importantes, e com um incremento cada vez maior a comprová-lo, são as parcerias entre a indústria da música e os operadores de telecomunicações.

Refiro como exemplo os casos portugueses da PT–Music Box, que lançou um serviço próprio, e a ZON que apostou numa parceria com o MYWAY. No contexto em que a música está cada vez menos dependente do CD e cada vez mais na rede e em plataformas móveis, a indústria da música adapta-se a essas mudanças para não perder a vez. Mas é também Greenberg quem dá o mote para um outro problema quando salienta que “existe uma diferença entre descarregar música ilegalmente (a que chamou "roubar") e recorrer a serviços que oferecem os temas gratuitamente porque se financiam de outros modos, como a publicidade.”

Ninguém ignora que, a par dos streaming áudio e do podcasting, nos deparamos com um fantasma com contornos ameaçadores: a pirataria. No passado dia 20 de Janeiro, durante a apresentação de um estudo sobre o mercado da música digital e perspectivas para 2011, a Federação Internacional da Indústria Discográfica (IFPI) anunciou que, globalmente, a música digital rendeu 6% mais em 2010 quando comparado ao período anterior. Mas também revelou, numa estimativa alarmante, que 95% dos downloads são piratas. Entre 2004 e 2010, o valor do mercado da música digital cresceu mil por cento, mas "a indústria discográfica continua a perder receitas por causa da pirataria", sublinhou Frances Moore. A directora executiva da IFPI apelou a uma intervenção dos governos no combate à pirataria na Internet. Frances Moore passa para os responsáveis políticos de todos os países a responsabilidade de combater a pirataria na Internet, criando legislação que defenda o sector. A federação dá como exemplo a Suécia, a Coreia do Sul ou a França como países que estão já a trabalhar em legislação, como a lei Hadopi, no caso francês, claramente o país mais avançado na UE em termos de incentivos à subscrição de serviços legais de música, para contrariar a pirataria digital, os descarregamentos e a partilha ilegal de música pela Internet.

O relatório conclui que se nada for feito para travar a pirataria, 1 milhão e 200 mil empregos correm o risco de deixar de existir, apenas na Europa, até 2015. Em Portugal há ainda muito por fazer, com poucas iniciativas, a exemplo do que acontece na maior parte dos países europeus.

Como conclusão, poder-se-á dizer que as tendências de futuro apontam para o consumo de música via streaming com uma preponderância da plataforma móvel, consolidação de serviços de subscrição de música como o MYWAY, Music Box, Spotify e Deezer e um aumento do reconhecimento por parte dos utilizadores das vantagens em utilizar estes serviços.
 
Carlos Marques,
Managing Partner da Waymedia

domingo, 13 fevereiro 2011 11:16

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