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O nosso criativo em Singapura

Há cinco anos que o criativo português Nuno Pestana Teixeira vive e trabalha em Singapura, onde é senior art director na TBWA. Com dois Young Lions no currículo, tem trabalhado em projetos para a Visa, Singapore Airlines, Adidas, Corona, Energizer e Airbnb. Os amigos já lhe chamaram o "Cristiano Ronaldo da publicidade". Em entrevista ao Briefing aconselha os criativos portugueses interessados em experimentar o mercado asiático a fazerem uma "uma pesquisa detalhada antes de emigrar para o oriente". Outro conselho "valioso": "comam todo o pão fresco que puderem antes de virem, porque aqui não há disso!"

quinta, 03 julho 2014 10:02
O nosso criativo em Singapura

Briefing | Como é que um criativo português vai parar a Singapura?

Nuno Pestana Teixeira | Em 2009, eu e a Clara Tehrani (a minha dupla na altura) fomos representar Portugal nos Young Lions em Cannes. Quando ganhámos o ouro, um dos membros do Júri era o Director Criativo Executivo da TBWA de Singapura, que nos convidou imediatamente para vir trabalhar no outro lado do mundo. Depois de pensarmos profundamente durante 4 segundos, aceitámos.

Briefing | Que trabalhos é que tem desenvolvido?

NPT | Em Singapura, tenho trabalhado em projetos para a Visa, Singapore Airlines, Adidas, Corona e Energizer, entre outros. Como é um país pequeno, não se produz anúncios de televisão em grande quantidade, portanto o foco é habitualmente mais em ativações ou digital. Recentemente, ganhámos o concurso para um projeto com a Airbnb, que tem ocupado os meus dias e noites!

Briefing |Que diferenças é que existem entre o mercado asiático e o europeu, por exemplo?

NT | As diferenças entre os mercados asiático e europeu resumem-se numa palavra: tamanho. A Ásia é obviamente maior em área e, em população, tem mais de metade da população do mundo. Isto significa que, em termos de marketing, tudo é maior. Maiores orçamentos, maiores campanhas e maior duração dos projetos. Deste lado do mundo, as hierarquias dentro das marcas e até das agências são enormes e complexas, o que muitas vezes complica as tarefas mais simples. Ao contrário do mercado europeu, que consiste em países bastante semelhantes em termos idiossincráticos e culturais, na Ásia existe uma diversidade enorme, que resulta numa indústria de marketing acentuadamente eclética.

Briefing | Que conselhos é que daria aos criativos portugueses interessados no mercado asiático?

NT | Não se mudem para o mercado asiático só para saírem de Portugal. Investiguem bem as oportunidades, porque na Ásia há muitas agências que têm a capacidade de pagar bem, mas o produto criativo que desenvolvem é aquém do que se cria na Europa. Eu diria que, mais do que em qualquer outro mercado, é importante fazer uma pesquisa detalhada antes de emigrar para o oriente. São muitos os casos que conheço de criativos ocidentais que se arrependem de ter vindo trabalhar para cá, porque tiveram o azar de optar por uma agência cuja filosofia não era a que esperavam. Há agências fenomenais na Ásia, estejam certos que vão trabalhar para uma delas. E comam todo o pão fresco que puderem antes de virem, porque aqui não há disso!

Briefing | Foi o único português que ganhou dois Young Lions em Cannes. O que significaram para a sua carreira?

NT | É, sem dúvida, algo que aconselho a todos os criativos até aos 28 anos. Trata-se de uma competição que dá uma enorme visibilidade aos jovens criativos, e abre muitas portas. A primeira vez que ganhei resultou na minha mudança para Singapura. Da segunda vez, aumentou exponencialmente a visibilidade que tenho dentro da network em que trabalho. As vitórias são sempre seguidas de oportunidades, e quer as persigamos ou não, servem para aumentar o nosso valor. Para além disso, quando ganhei esse prémio representando dois países diferentes, ouvi amigos chamarem-me "Cristiano Ronaldo da publicidade". Como português e sportinguista, não há elogio maior.

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