Como uma marca com 500 anos se associou ao marketing

Chegar junto de novos públicos-alvo e gerar novas ideias a uma instituição que abrange áreas tão diversas de atuação, que vão desde a ação social ao empreendedorismo, foi o que levou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a associar-se à Semana Nacional do Marketing, que decorre esta semana em Lisboa e no Porto. Ana Delgado, diretora de Comunicação e Marketing, explica ao Briefing como é que uma “marca forte”, com cinco séculos de existência, considera fundamental o papel do marketing.

Briefing | Porque é que a Santa Casa se associou à Semana Nacional do Marketing?

Ana Delgado | A Santa Casa do século XXI assume que está a procurar modernizar a sua atuação, a sua própria imagem, para estar mais próxima dos seus públicos, de quem mais precisa, e chegar junto de novos públicos-alvo, como os mais jovens, de forma mais apelativa. A Semana Nacional de Marketing é um desses momentos-chave e um espaço de networking em que os especialistas mais reputados, os novos talentos, se reúnem para olhar para os reptos comuns, para as novidades, para as novas sensibilidades, e isto é uma dinâmica que importa acompanhar e promover, da perspetiva do Marketing e Comunicação de uma instituição que gera valor social.

Briefing | Que retorno é que a Santa Casa espera com esta associação?

AD | Este é um palco privilegiado que acompanha o despertar de novos talentos nacionais, que temos procurado incentivar. E há um retorno imediato que tem que ver com o capital de conhecimento acumulado e com a possibilidade de refletir sobre as novas ferramentas e abordagens que podem tornar o nosso trabalho mais eficaz. A Semana Nacional do Marketing é um evento de referência em Portugal e assume-se como o principal fórum de reflexão e análise das grandes tendências e desafios que as profundas transformações da sociedade colocam ao Marketing. Como tal, contribuirá também para gerar novas ideias a uma instituição que abrange áreas tão diversas de atuação, que vão desde a ação social, cultura, património, saúde, educação, investigação até ao empreendedorismo e inovação social. Uma instituição que é reflexo, precisamente, das sucessivas transformações da sociedade e se tem adaptado à mudança, com respostas sociais inovadoras.

Briefing | Sendo a reanimação o mote da Semana, como é a que a Santa Casa está a contribuir para esta reanimação das marcas, do consumo e da economia?

AD | Esta lógica da reanimação da criatividade, da espiritualidade, da inovação, do valor da sustentabilidade tem fortes ligações com o que é a ação atual da Santa Casa. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa faz sua a missão de trazer esperança a quem mais dela precisa, de procurar novas respostas, de inovar continuamente, de seguir em frente. É uma mensagem forte, muito positiva, a de uma instituição que abre portas a todas as pessoas, de todas as idades, que não baixa os braços e procura respostas. Uma instituição que, de facto, trabalha para melhorar a condição de vida das pessoas e isto tem reflexos na cultura, na ação social, na educação, no empreendedorismo social, e também no património que estamos a reabilitar, dinamizando os setores associados.

Briefing | Qual o papel do marketing em instituições onde a história se “mistura” com a responsabilidade social, como é o caso da Santa Casa?

AD | A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa é uma instituição de referência no país, com cinco séculos de existência, mas é também uma marca forte, que transporta um grande capital de confiança. O Marketing, como a Comunicação, é fundamental neste processo da criação de valor, de transportar e elevar essa marca de credibilidade para o futuro, cunhar uma nova modernidade para a Santa Casa do século XXI, sabendo preservar o seu ADN de responsabilidade social. Ou seja, hoje, a Santa Casa quer mostrar, de forma transparente, as Boas Causas em que são aplicadas a parte das receitas dos jogos sociais e benemerências que lhe são entregues. Mas, ao mesmo tempo, afirma também o seu relevo ímpar na sociedade, posicionando-se como uma instituição-modelo de boas práticas, próxima dos seus públicos, profundamente conhecedora da realidade social, numa conjuntura em que este trabalho ainda é mais crucial.

hs@briefing.pt

Quarta-feira, 09 Abril 2014 09:21


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