Satisfação dos consumidores e foco no produto são desafios para as startups

Manter os consumidores satisfeitos, garantir a qualidade e foco no produto, a concorrência de grandes corporações, e ter uma equipa coesa, composta por pessoas que garantam o desenvolvimento do negócio. Estes foram os fatores identificados como “Ameaças e Desafios para as Startups”, tema do primeiro painel da tarde da conferência “Sharing Economy ou Sharking Economy“, organizada pela Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing (APPM).

Cristina Fonseca, cofundadora da Talkdesk e eleita em 2016 como uma das empreendedoras de tecnologia empresarial “30 under 30” pela revista Forbes, abriu a discussão, apresentando o conceito de sharing economy e aqueles que, na sua opinião, são os cinco pilares: recursos partilháveis (por exemplo, casas), apps, API (Interface de Programação de Aplicações), confiança dos consumidores e dados. Quanto a desafios para startups, a empresária destaca a necessidade de obter os recursos necessários, a cobrança de comissões (comum no modelo da economia partilhada) e a criação de uma comunidade que apoie a ideia.

Após esta introdução, Rui Ventura, presidente da APPM, moderou a mesa redonda, que contou com participações de Catarina Cabral (Cabify), Vasco Mendonça (Uniplaces), Carlos Silva (Seedrs), Luís Pedro Martins (ZAASK) e Jason Nadal (Microsoft). Na opinião de Carlos Silva, o que se verifica no mercado é uma “seleção natural que é desejável” e a crise económica propiciou o aparecimento das startups.

Por sua vez, e no âmbito da concorrência, Vasco Mendonça comentou que os grupos de Facebook de procura e aluguer de quartos constituem os principais concorrentes da Uniplaces, dedicada ao arrendamento de casas e quartos, sobretudo a estudantes universitários, em 40 cidades europeias. Por isso é necessário o foco no produto, “ser humilde e não vender algo que não se tem”. Sobre este tópico, o empresário acrescentou, citando um artigo de Carlos Silva, que “há muita vaidade no mundo das startups, ainda antes de existirem resultados”.

Catarina Cabral defendeu que as empresas não podem descurar na estratégia de marketing e construção de notoriedade das marcas, estando a Cabify a trabalhar nisso mesmo, em conjunto com as equipas locais. Porém, todos os oradores concordaram que, no início de uma startup, o budget de marketing é bastante reduzido, pelo que a tarefa fica dificultada. Já Jason Nadal, da Microsoft, referiu que as startups podem tirar vantagens de tecnologias como machine learning, bots e cloud para desenvolver os seus negócios.

Quando questionados sobre as questões que “os deixam acordados à noite”, os cinco intervenientes concordaram nos mesmos pontos: separar a paixão pelo trabalho da vida pessoal, manter os consumidores felizes, recrutar as pessoas certas, pagar salários, garantir que o marketing e comunicação são consistentes com o produto/serviço oferecido e ainda os desafios operacionais que decorrem da descentralização do negócio, isto é, quando a empresa atua em diferentes mercados.

A conferência “Sharing Economy ou Sharking Economy” decorreu esta terça-feira nos cinemas NOS Alvaláxia, em Lisboa. Quarta-feira irá passar pelo IPAM Porto.

rs@briefing.pt 

Terça-feira, 31 Maio 2016 17:09


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