Manuel Soares de Oliveira

Manuel Soares de OliveiraCriada há cerca de dois anos, a Mosca Publicidade tem “vista” para o Largo do Calvário, no “castiço bairro” lisboeta de Alcântara. Ocupa um espaço que foi sendo construído à medida da agência, sem qualquer ideia pré-concebida.

“A única coisa que sabíamos é que não queríamos acabar com uma decoração toda em brancos e muito clean igual a quinhentas agências que por aí existem com tudo muito bonitinho e bem arranjado por um decorador ou arquiteto”, demarca o diretor-geral, Manuel Soares de Oliveira, com um olhar crítico sobre os espaços de trabalho dos clientes, que já têm mesas brancas num open space e numa lógica minimalista. “Quando os escritórios das agências não se distinguem dos clientes, isso é preocupante”, comenta.

Assim, o look da Mosca foi-se desenhando à base de objetos que refletiam a história da agência. Até porque “há uma máxima na publicidade que diz que, na ausência de ideias, aposta-se na produção. A Mosca é uma agência de ideias, portanto a imagem do escritório é secundária”. O importante é ser um escritório divertido, bem-disposto e cheio de gente que gosta do que faz, de profissionais que amam a comunicação, exalta. E o aspeto “aparentemente caótico” é ainda mais saliente na área de trabalho do diretor-geral. É o próprio quem o afirma. “Mas cada papel ou cada peça representa uma inspiração do momento e um espaço mental que considerei importante revisitar”, defende.

Ali não podem faltar igualmente a caneca do Sport Lisboa e Benfica, os blocos de papel de desenho A3 para rabiscar, M&M’s, uma aparelhagem de som “sempre a bombar música”, descreve Manuel Soares de Oliveira. A sala de reuniões é um refúgio: isolada e com “boa música”, é sobretudo uma sala de brainstorming e de “no device meetings”. É onde “fazemos várias reuniões com os criativos e que são reuniões sem computadores e sem telemóveis”, pois “não há nada mais frustrante do que querer fazer um brainstorm e estarem todos a olhar para os telemóveis”.

“Cada vez mais, acredito que nos devemos desligar da escravatura de passar horas a olhar para um monitor e, em vez disso, deveríamos procurar inspiração em coisas reais e que estão à nossa volta”, reflete. Talvez por isso, se pudesse acrescentar algo ao seu escritório na Mosca seria uma mesa alta para o computador. Para garantir que só o utiliza em última necessidade. “A criatividade nasce da troca de ideias e não de passar horas a olhar para um ecrã. Cada vez mais estamos a perceber isso”, comenta. A própria constituição em retalhos da Mosca serve de fonte de inspiração porque, como explica o diretor-geral, a casa é muito compartimentada, o que permitiu criar ambientes e cenários muito diferentes. “Há um storytelling ao vivo e a cores”, realça. Amuletos não tem. É demasiado supersticioso. O importante é não ficar com a mosca atrás da orelha…

Manuel Soares de Oliveira

Na entrada da agência está um retrato a óleo do Barão de Mosca, que, diz a lenda, inspirou a fundação da agência. Bem, na verdade “é toda inventada, mas conta uma história… E, por isso, recorreram não só a um artista para criar a pintura, mas também “a um historiador que escreveu a biografia do personagem e a um heráldico que inventou e descreveu as armas da família do Barão de Mosca”. A lenda chegou à Wikipédia. “Mas a marosca foi descoberta e a página foi retirada ao fim de uns dias”.

Manuel Soares de Oliveira

Na agência de Manuel Soares de Oliveira há uma homenagem à diversão noturna das décadas de 70 e 80. Como? Com uma entrada “Discoteca” que só passa temas de disco sound e italodisco. “É uma homenagem à discoteca Banana’s dos anos 70/80 e que funcionava aqui ao lado”, recorda.

Manuel Soares de Oliveira

As paredes da Mosca estão decoradas com diversos cartazes. Desde alusivos a marcas clientes, como a Licor Beirão, até aos da saga de filmes que partilham o nome com a agência: “The Fly”.

 

No escritório de Manuel Soares de Oliveira há outros objetos “particulares”: mata-moscas. “Oferecidos pelas agências concorrentes, sempre na esperança de exterminarem a Mosca”, comenta.

Segunda-feira, 29 Maio 2017 12:02


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