“Se houvesse hoje censura em Portugal esta capa viria dos censores assim”. Esta é a explicação que o jornal dá aos leitores para este projeto. Na manchete, por exemplo, o título real é “Finlândia empurra Portugal para uma saída “limpa” do resgate”. Depois de “passar” pela censura o resultado ficou assim: “Finlândia Portugal para uma saída “limpa” do resgate.
Um outro título, “Entre ocupações e ultimatos, Moscovo e Kiev vão negociar”, ficou apenas “Moscovo e Kiev vão negociar”. Só um título da primeira página ficou igual: Paulo Bento renova até 2016 e só fica atrás de Cândido de Oliveira.
Esta iniciativa insere-se no mais recente projeto do Público, a coleção Livros Proibidos, cujo primeiro número foi colocado à venda com a edição de hoje do jornal. É constituída por 13 livros proibidos pelo Estado Novo nas suas edições originais e respectivos relatórios oficiais da censura. A ideia foi proposta ao Público por Joao Pinto de Sousa, da editora “A bela e o monstro”, disse Bárbara Reis ao Briefing.
Na apresentação da coleção a diretora do jornal afirmou que pretende “que os leitores voltem a ver – ou descubram – o que era de facto a censura, o que se proibia e o que se justificava para proibir”.
“Para os leitores mais novos, talvez seja uma descoberta ver que a censura não era uma atividade informal, pelo contrário. Era oficial e sem eufemismos: todos os relatórios têm o carimbo da “Direcção dos Serviços de Censura” e à frente a palavra “Proibido” a encarnado”, afirmou.

