Temos a mesma ambição, a mesma visão, o mesmo entendimento dos negócios, o mesmo querer de fazer coisas boas, a mesma dedicaçāo, a mesma capacidade técnica.
Em Portugal, não temos é o mesmo dinheiro. Só por si, isto poderia explicar muita coisa (desde a falta de grandes produções e campanhas ou a capacidade de contratar malta ainda com mais valor do que já temos para melhorarmos, até ao rigor com que se escolhe pessoas com responsabilidade e visāo para liderar marcas). Mas esse nāo é o verdadeiro problema. O imbróglio poderia estar na nossa capacidade de adaptarmos as nossas ideias a requisitos mais…modestos. Mas também nao acredito que este seja o busilis da questāo. Até porque somos mestres do desenrascanço e se há coisa que Portugal tem feito é adaptar-se.
A questāo é que adaptar significa, muitas vezes, acomodar. E ainda que nāo sejam sinónimos, o momento que Portugal atravessa potencia decisões mais cómodas, menos arriscadas. Mais “adaptadas a novas realidades” dirāo economistas, politicos e afins. Até porque nāo há o mesmo dinheiro.
A grande diferença entre os mercados português e inglês é que este último adaptou-se (leia-se “acomodou-se”) nos ultimos 20 anos a fazer mais do mesmo. Filmes. Filmes. Filmes. Excelentes filmes, claro. Dificilmente há Mercado melhor no mundo a fazê-lo. Mas ficou-se por aí. O Digital, a Activaçāo, o Retalho, evoluiram, claro, mas parece que à lei de haver muito dinheiro e nāo necessariamente ideias inteligentes. E em Portugal aparecem Zé Marias, The Hotel, Escritórios, Equipas de gente que simplesmente nāo se acomoda, que sabe que com mais, ou menos dinheiro, é possivel levar a coisa para a frente. É começar a aparecer coisas feitas e vāo ver se o dinheiro nāo volta. O problema nāo é o vil metal. É nāo haver mais gente a levantar a cabeça e dizer: “Sai da frente que eu faço”.

…nos orçamentos, investimentos e vencimentos. É esta a primeira análise da minha ainda curta estada noutro mercado. Em termos criativos, os portugueses em nada ficam atrás dos ingleses (e venezuelanos, franceses, italianos, escoceses, malásios, australianos, norte-americanos, brasileiros, espanhóis, galeses, croatas, russos, elsalvadorenhos com que tenho tido o privilégio de trabalhar).