O Tiago quer fazer as marcas felizes

  O Tiago quer fazer as marcas felizesA Happy Brands nasceu em 2009, num ano já de prenúncio da crise que se viria a instalar no investimento publicitário. Não obstante tem crescido, em clientes e resultados. Tudo porque nasceu com a crise e para a crise. É um novo modelo de agência que, diz ao Briefing o partner Tiago Charrua, um dos fundadores, veio para ficar. Mais: “As empresas que já nasceram assim ou que rapidamente se adaptaram são as primeiras a colher os frutos. As outras são as que estão a chorar agora”.

Briefing | A Happy Brands conquistou vários clientes já este ano. Como se explica este crescimento em contraciclo?

Tiago Charrua | A Happy Brands nasceu em 2009, já em plena crise, quando se falava já da redução dos bugdets. O que significa que nasceu já para a crise: sabíamos que os budgets eram inferiores e que os clientes iam precisar de um tipo de apoio de que até então não haviam necessitado. Impunham-se estruturas mais enxutas, com pouca gente mas dinâmicas e que rapidamente se adaptassem a esses tempos e foi o que fizemos. A nossa opção foi, desde a primeira hora, termos uma equipa adaptada à nova realidade, uma equipa preocupada com aquilo que os clientes precisam e com a excelência do serviço. O sucesso que temos hoje deve-se um pouco a isso – a termos nascido na crise e para a crise.

Briefing | Ter a crise no ADN, por assim dizer, que implicações teve na diferenciação da oferta?

TC | Somos quatro sócios, todos com alguns anos de experiência e, sobretudo, uma equipa já virada para esta nova realidade. Na altura, conseguimos destacar-nos por isso, mas também por oferecermos um serviço integrado. Oferecemos a parte mais tradicional, mas logo no início estávamos orientados para o digital e para a ativação, o que ajudou a angariar novos clientes.

Briefing | A vossa dimensão é uma vantagem competitiva num mercado em que concorrem com grandes agências, algumas delas multinacionais?

TC | Acho que sim. O facto de sermos mais pequenos acaba, hoje em dia, por ser uma grande vantagem. Conseguimos ter aquele golpe de rins que faz a diferença e que as estruturas grandes não conseguem. Não é que não estejam cientes do problema, mas levam tempo a adaptar-se. Ser pequeno hoje é um desafio e uma oportunidade.

Briefing | Apesar de nascidos com a crise e para a crise, o esmagamento dos preços é uma realidade. Como lidam com este fenómeno?

TC | É verdade que sentimos bastante o esmagamento dos preços. O preço é um fator decisivo: assistimos diariamente a essa pressão nos briefings e nos concursos. Hoje em dia vale quase tudo, até oferecer criatividades para conquistar novos clientes. Mas é uma guerra em que não entramos. Por definição, queremos ser competitivos, mas temos um preço que tem de ser pago e não entramos na loucura de oferecer campanhas. As multinacionais conseguem aguentar algumas ofertas, mas nós, como agência pequena, não o podemos fazer. Mas, sobretudo, sabemos o valor que temos, o bom trabalho que desempenhamos. Não vamos trabalhar para perder dinheiro, mas é verdade que sentimos que o preço vale quase tudo, até em detrimento da criatividade, de boas campanhas. Se nos queremos distinguir por um excelente serviço, por uma boa oferta estratégica e pela criatividade há um limite que não podemos baixar.

Briefing | Até que ponto é que essa guerra descaracteriza o mercado?

TC | Descaracteriza, sim. E há um fenómeno muito importante: os free lancers e as empresas que se fazem com duas ou três pessoas e que temos de considerar concorrência. As multinacionais estão a despedir pessoas, o que dá origem a grupos de trabalho que começam a aparecer no mercado, esses, sim, com preços muito inferiores porque não têm uma estrutura para suportar. Temos de contar com essa concorrência, embora não seja a nossa guerra. A nível de conceitos e criatividade são pessoas tão válidas como as que temos, mas com certeza que não oferecem o mesmo tipo de serviço que oferecemos.

Briefing | Voltando à Happy Brands. Quais são as vantagens de oferecer um serviço integrado?

TC | O que estamos a assistir é que os departamentos de marketing das empresas têm cada vez menos pessoas, pelo que precisam que a agência seja uma extensão do departamento. Precisam de um parceiro de confiança. E uma agência que ofereça o serviço integrado tem essa capacidade. É um serviço valorizado. Ficamos todos a ganhar. Na Happy Brands, vemos as campanhas de forma integrada, temos uma visão 360º graus do problema do cliente e isso é uma grande vantagem.

Briefing | Um serviço integrado inclui o digital. Qual o peso que tem no negócio da agência?

TC | Tem vindo a evoluir, tem crescido todos os anos e representa já mais de 40 por cento do volume de faturação da agência. Oferecemos desde a construção de websites à gestão de social media, passando pelas campanhas específicas para o digital. Temos, aliás, um caso de sucesso, que foi a campanha que desenvolvemos para o Almada Fórum e para a Ajuda de Berço, em que conseguimos quase meio milhão de fãs no Facebook.

Briefing | E no que respeita à ativação de marca, qual tem sido o desempenho?

TC | É, com o digital, uma das áreas que tem vindo a crescer e que tem ainda mais potencial para crescer. Já representa cerca de 20 por cento e é uma das nossas grandes apostas para o próximo ano. O digital já anda por si, já começamos a ser reconhecidos e queremos sê-lo também na ativação. A nossa grande vantagem é o know how que temos como agência integrada, principalmente na estratégia e na criatividade.

Briefing | A Happy Brands tem grandes clientes, nomeadamente na área do imobiliário e do automóvel. Que valor acrescenta a essas marcas?

TC | Acrescentamos o valor da integração. Sinto que trazemos valor acrescentado devido à proximidade com o cliente – estamos tão próximos do cliente que quase adivinhamos o que ele precisa. É a isto que chamo a excelência do serviço. E que em agências grandes não é possível: aí quem vai ao cliente não é quem faz a proposta… Como somos pequenos, conhecemos melhor o cliente. Cada vez se dá mais valor a isso. O tempo das grandes agências já lá vai. Hoje em dia as empresas não se podem dar ao luxo de pagar a uma agência que não resolve ou não resolve bem. Todas as agências se estão a adaptar a este novo mercado, mas há umas que se adaptam mais rapidamente do que outras.

Briefing | Este modelo veio para ficar?

TC | Acho que sim. Vivemos um período de vacas gordas, em que havia dinheiro para tudo e mais alguma coisa e hoje já não é assim. E, mesmo que volte a haver um período em que haja mais liquidez, em que as empresas voltem a ter capacidade de investimento, penso que já não se vai voltar atrás. Já sabemos como aplicar o investimento da melhor forma, pelo que o esbanjamento deixará de acontecer. Assim como os consumidores estão mais atentos e a deixar de lado o que não é necessário, também as marcas se estão a ficar no essencial. E a tendência deverá manter-se, mesmo havendo mais investimento.

Briefing | Sendo assim, haverá agências a ficar pelo caminho…

TC | Considero que, hoje em dia, não há espaço para os que dizem que fazem, mas não fazem, para os que não cumprem prazos, para os que deixam os clientes “na mão”, para os que praticam preços exorbitantes.
Hoje em dia, as agências querem-se flexíveis, próximas dos clientes, inovadores e com soluções otimizadas. Tudo isto com preços competitivos. Competitivos, não “de borla”.

O paradigma mudou completamente e as empresas que já nasceram assim ou que rapidamente se adaptaram são as primeiras a colher os frutos. As outras são as que estão a chorar agora. O mundo mudou, os mercados mudaram e os que sobrevivem não são os mais fortes, mas sim aqueles que melhor se adaptam às mudanças.

Briefing | O que podemos esperar ainda este ano da Happy Brands?

TC | Em termos de marca, a grande novidade é o novo site. Quanto à estrutura, não vamos alterá-la, pois tem dado bons resultados. A nível de clientes, gostávamos de trabalhar mais um ou dois centros comerciais. É um desafio que, para uma agência, é muito interessante. Porque os centros comerciais são todos iguais, as lojas são as mesmas, e o que pode ser diferente é a experiência que proporcionam e que os clientes podem encontrar num mas não noutro. Já trabalhamos o Almada Forum e a Multi Mall Management, mas o nosso objetivo é ganhar mais centros.

Briefing | E a internacionalização está nos vossos planos?

TC | Estamos a pensar no mercado de Angola, onde já trabalhamos alguns clientes mas não estamos presentes. Começamos a perceber que o mercado mexe bastante e se estivermos lá teremos mais trabalho. Olhando para a faturação anual, não chega aos dois dígitos, mas podemos crescer. Estamos, por isso, a equacionar abrir um escritório. Estamos à procura de parceiros e talvez aconteça este ano ainda ou no início do próximo. A ideia é mantermos aqui o cérebro, mas ter lá alguém para operacionalizar o negócio.

Estamos também a equacionar uma presença em Moçambique, aproveitando o movimento de um nosso cliente que está em Angola.

Briefing | Quais as expetativas em termos de contas finais do ano?

TC | Contamos crescer 20 por cento em valor de income relativamente ao ano passado. Quanto à faturação, em princípio vamos manter.

fs@briefing.pt

 

Quinta-feira, 31 Outubro 2013 12:11


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