“I’m funny how?” (Como é que sou engraçado?). A famosa frase de Joe Pesci no filme “Goodfellas” serviu de inspiração ao projeto que se viria a tornar numa agência que se rege pelos principais princípios da máfia – a FunnyHoW.
Francisco da Luz Ferreira e Paulo Gaspar são os “Don” desta famiglia que renasce agora e, mais do nunca, quer chegar e marcar o “seu território”. O primeiro é um “criativo compulsivo”, com uma dose de genialidade e de carisma que aplica em tudo o que faz. É fascinado, desde criança, pelo poder da comunicação e tem vontade de mudar o mundo, principalmente os “mundos” da publicidade e da comunicação. O segundo é um empreendedor, dinâmico, sempre informado sobre o que acontece no mundo e sobre as principais inovações. Constantemente atento à forma de as poder aplicar no trabalho da agência.
A FunnyHoW é um projeto conjunto destes dois jovens, agora com 27 anos, que começou bem lá atrás… A génese do que é hoje uma agência premiada começou num projeto de música. Paulo era DJ, mas quis mudar o estilo em que atuava a aproximar-se da música eletrónica. Uma mudança para a qual necessitava da ajuda de um criativo. Lembrou-se do amigo Francisco, formado em design no IADE – Instituto de Arte, Design e Empresa e acabado de sair de uma curta experiência numa grande agência de publicidade. Sedento da necessidade de criação, Francisco não hesitou. Tinha a certeza que este ia ser “o” projeto. Começou a criar a imagem, o conceito, a marca por detrás do DJ. Um ponto assente para o criativo é que, quando o DJ entrasse, todos tinham de saber quem ele era e ter… respeito, um conceito que se mantém até hoje na agência. Por isso, quando o irmão lhe enviou a cena do filme “The Goodfellas”, em que Joe Pesci diz a frase “Funny? Funny how?”, Francisco soube que tinha encontrado a denominação ideal para o projeto. Um nome engraçado, mas que, ao mesmo tempo, estiva ligado ao respeito provocado por um chefe da máfia. Nascia assim o DJ FunnyHoW.
O projeto musical acabou por não resultar, mas os dois amigos sabiam que o conceito era bom e que não o podiam deixar morrer. Assumiram-se então como editora musical, promoveram festas e até ações de guerrilhas, mas ainda assim não estavam a avançar no sentido que pretendiam.
Paulo já produzia eventos e, sendo Francisco um comunicador compulsivo, decidiram juntar estes atributos e levar a marca FunnyHoW para o próximo nível. Objetivo? Criar publicidade unconventional (fora do normal), disruptiva.
Em 2010, abriram o primeiro escritório da agência, começaram a ter os primeiros clientes e a promover ações de guerrilha. Desenvolveram a primeira festa a três dimensões e, aquando da visita do Papa a Portugal, criaram a Festa Santa, sob o mote “O Papa vai à festa, é tudo uma questão de fé”, o lhes deu grande notoriedade.
A equipa era essencialmente composta por “artistas”, ninguém tinha formação em publicidade, não havia experiência mas também não havia vícios. “Arranjámos uma pedra que se chama criatividade e começámos a partir”, afirma Francisco.
“Aproximar a publicidade da arte” – este era o grande objetivo desta segunda fase da FunnyHoW e, em simultâneo, desmistificar o preconceito que existe em relação à publicidade. “A publicidade é feia, é mentirosa, é chata. Eu queria desconstruir isto. E como é que isso se faz? Fazendo algo de belo, que entretenha as pessoas, que as faça parar para contemplar… que lhes desperte uma reação”, sustenta Francisco.
O criativo queria cortar com os preconceitos que existem em relação à publicidade, criando uma completamente diferente e disruptiva. E a melhor forma para fazer isso é – diz – aproximar a publicidade da arte. É fazendo algo “uau” e só no fim vir a parte mais “maçadora”.
O conceito resultou. A empresa começou a crescer, começou a ter mais clientes e mais sucesso. Com o crescimento vieram novas responsabilidades, novas regras e novas necessidades. Era altura de se reinventarem… nasce assim a nova FunnyHoW.
Uma nova equipa, novos objetivos, um novo escritório, toda uma nova dinâmica. Apresentam-se não só como uma agência de publicidade mas como uma família. Têm na sua essência os valores da “máfia” da FunnyHoW: proteção, respeito, lealdade, influência e eficiência. Os clientes são os seus “Goodfellas”, pois, mais do que com clientes, a agência quer trabalhar com a famiglia e uma vez parte da família… para sempre da família. “Eu não tenho clientes, tenho família”, afirma Francisco, que neste nova fase assume a função de Chief Creative Officer (CCO).
Francisco considera que passaram a “jogar na primeira liga” e, para isso, é necessário “ter armas, ferramentas, para conseguir jogar neste campeonato”. “Ter pessoas com experiência, mas que tivessem a mesma vontade de criar e de fazer diferente, não poderiam vir com vícios”, acrescenta.
Depois de um longo processo de recrutamento, conseguiu constituir a equipa que queria. Desta nova famiglia fazem parte Susana Lourenço e Hugo Antonello, respetivamente diretora criativa e diretor estratégico. Estes dois novos “mafiosos” funcionam como o braço-direito de Francisco e Paulo.
Toda a dinâmica assenta na ideia da máfia e, consequentemente, da família. Como para a família não pode entrar toda a gente, são criteriosos com quem trabalham, pois é essa mesma característica que aplicam no trabalho que desenvolvem. O intuito da agência é assumir uma parceria com o cliente, com o objetivo final de resolver o problema de cada um dos “Goodfellas”.
“O nosso grande posicionamento é your business is our business (o teu negócio é o nosso negócio), queremos poucos clientes, mas bons e muito próximos”, explica Hugo Antonello.
A ideia é reforçada por Francisco, que esclarece que o cliente tem de olhar para a FunnyHoW como a agência que está com ele. Para isso empenham-se em conhecer o cliente ao pormenor, “mergulhando” nele, identificando as mais-valias, as debilidades e o fator que o distingue. Só assim conseguem encontrar a “melhor solução” para cada cliente. “Nós temos a vontade de apresentar uma estratégia pensada nos nossos clientes, pois basicamente queremos ter um posicionamento que nos permita no final do ano explicar com trabalho”, esclarece a diretora criativa.
A FunnyHoW disponibiliza vários serviços mas foca-se principalmente no digital. “Hoje em dia fala-se na questão do digital, isso para nós nem sequer é um assunto, nós nascemos na geração do digital, por isso estamos lá”, afirma Susana. “Nós somos pessoas de pessoas e se hoje elas se movem no mundo digital, é lá que estamos. É mundo que seguimos e dominamos, mas que também queremos ajudar a definir”, acrescenta.
A nível criativo querem ir além do convencional e trazer utilidade e relevância para a criatividade, foi assim que nasceu a ideia do creativity with a bang. A FunnyHoW pretende resolver problemas aos clientes, ou seja os clientes dos próprios clientes, com os produtos e propostas que criam. Quer trazer utilidade para a publicidade, utilidade que represente uma mais-valia para o consumidor/cliente. “Nós queremos criar campanhas com relevância, mantendo o nosso ADN da relação com a arte, mas com campanha relevantes e úteis”, explica Francisco.
Por enquanto, parecem estar aí no caminho certo, pois foi tendo em mente esta ideia de utilidade que desenvolveram a campanha para a marca Desperados – “Desperados é boas nas Horas” – na qual proporcionavam minutos de diversão aos consumidores da bebida. A criatividade foi reconhecida a nível internacional e ganharam a competição internacional “Desperados Best Practice Contest”. Mas o grande “salto” foi dado com a campanha “Profissional da Cerveja”, para a Guiness, em que conseguiram resultados astronómicos, como fazer crescer o número de fãs da página de Facebook em 900 por cento. Estes são trabalhos que mostram o que a Funny How quer ser uma digital mob.
Esta projeção internacional tem levado a agência a pensar na sua própria internacionalização. Já desenvolveu trabalhos para Angola, tem um cliente na Escócia e, em permanência, um representante no Brasil e outro em Inglaterra.
Para o futuro o que pretende é simples: “Queremos ser a agência que melhor se mexe no mundo digital!”, resume Susana Lourenço.

