Para este ano o principal plano é consolidar a estratégia de internacionalização que iniciou em 2009, com a entrada em Portugal, principalmente nos mercados de Cabo Verde e Brasil. Tem a ambição de entrar em Moçambique, “mas a entrada será concretizada apenas quando tivermos a certeza que é o timing ideal”, diz Nuno Cabral.
Briefing | O que é hoje o universo Creation e o que faz?
Nuno Cabral | A Creation nasceu em 2006, em Angola, numa altura em que ainda não se vivia a crise em Portugal com a intensidade dos dias de hoje. Começar um projeto em Angola na época em que poucas empresas portuguesas do sector, arriscavam entrar no mercado angolano, foi, sem dúvida, uma aposta estratégica. A empresa começou integrada num grupo empresarial que estava presente no país desde 1992, mas rapidamente, dado o núcleo de competências e recursos que integrou, decidiu abordar o mercado em geral. Em 2009 resolvemos internacionalizar a agência para Portugal, um pouco em contraciclo com as agências que iam de Portugal para Angola. Entrámos em Portugal para reforçar competências e ter uma estrutura de apoio, não só do ponto de vista criativo mas também nas soluções de produção que os clientes exigiam. Abrimos a agência em Lisboa em 2009 e no Porto em 2010, onde conquistámos clientes localmente. Em 2011, entrámos no mercado cabo-verdiano, uma aposta integrada numa estratégia de internacionalização, que segue a crença no crescimento dos mercados emergentes dos CPLP. Seguiu-se a entrada no mercado brasileiro, em 2012. Quanto ao que fazemos, podemos dizer que somos uma agência full service. Temos uma equipa 100% autónoma para dar respostas a serviços como Branding, Campanhas Publicitárias, Desenvolvimento de Aplicações e Soluções Online, Gestão de Redes Sociais, Ativação de Marca, Relações Públicas e Assessoria de Imprensa. Nos locais onde operamos, os clientes esperam soluções integradas não havendo espaços para especialização por tipo de oferta. Isso obrigou-nos também a desenvolver competências internas e a ter uma equipa multidisciplinar que dá respostas a todas essas áreas.
Briefing | Em que mercados é que está presente?
NC | Hoje estamos em Angola, Portugal, Cabo Verde e Brasil. Estamos presentes em três continentes, quatro países, cinco cidades. Trabalhamos variados setores como a indústria petrolífera, a aviação, empresas do grande consumo, as ONGs, as empresas de telecomunicações e a banca, entre outros.
Briefing | O que é que faz a Creation ser diferente da concorrência?
NC | O nosso posicionamento é “Comunicação com sotaque”. Há um denominador comum que une todos os mercados nos quais atuamos: a língua portuguesa. Só que cada local, cada mercado tem a sua particularidade, o seu sotaque. O sotaque não é percetível só na fonética, é todo um universo que compreende o conhecimento da cultura local e do público local. É esse conhecimento que nos permite ter uma comunicação adaptada à linguagem local, uma comunicação perfeitamente enquadrada. Sabemos que é completamente diferente uma campanha desenvolvida em Portugal para o mercado angolano, sem conhecimento do mercado local. Sabemos a importância de estar no local, de conhecer a cultura, a linguagem, a sociedade e todos os aspetos que influenciam o desenvolvimento de uma campanha.
Para além da presença e conhecimento local, sabemos que o facto de sermos uma agência de média dimensão diferencia-nos da concorrência. Somos uma boa opção tanto para os clientes de média dimensão como para clientes de grande dimensão que hoje procuram agências mais ágeis e competentes, mas com custos reduzidos face às multinacionais. Olhamos para todos os clientes com o mesmo grau de importância, com 100% de atenção e dedicação e compromisso com os resultados. Gostamos da informalidade da relação com os colaboradores e clientes, mas não perdemos o sentido de responsabilidade e o profissionalismo que cada projeto merece.
Briefing | Quais os principais planos para 2013?
NC | Sem dúvida, consolidar a estratégia de internacionalização que iniciámos em 2009, com a entrada em Portugal. Consolidar a operação do Brasil e de Cabo Verde. No caso de Cabo Verde, que é um mercado pequeno e muito competitivo, há uma grande disputa do mercado por empresas locais e internacionais, essencialmente portuguesas. Estamos a reforçar a equipa no país, porque apesar da sua dimensão e competitividade, o mercado cabo-verdiano permite-nos desenvolver trabalhos interessantes para o setor da banca, do grande consumo, das telecomunicações, aumentando o nosso portfólio e possibilitando case studies que podemos mostrar noutros países. No que toca ao mercado brasileiro, mudámos de instalações recentemente e estamos a reforçar a estrutura com recursos locais.
Briefing | Quais as ambições da empresa a nível de internacionalização?
NC | Em termos de ambições, temos em vista o mercado moçambicano, mas a entrada será concretizada apenas quando tivermos a certeza que é o timing ideal. Temos agências interessadas em associarem-se à Creation, devido a posição que a agência ocupa nos mercados onde atua e pelas contas que tem vindo a trabalhar. A continuidade da internacionalização poderá estar associada a parcerias com uma multinacional na área da comunicação.
Briefing | Como prevê a evolução do mercado e que tendências é que vão marcar o futuro do sector da comunicação em Portugal?
NC | Acredito que os vetores que marcarão a tendência em qualquer mercado, serão sempre a capacidade de inovação, a criatividade e o compromisso com os resultados. No contexto de crise em que vivemos, a criação de valor e o compromisso com os resultados é condição vital para quem se quer manter no mercado. Na Creation continuamos a acreditar que as plataformas digitais assumirão cada vez mais o papel dos suportes tradicionais. O entrosamento entre as plataformas digitais, redes sociais e aplicações mobile, capazes de criar uma relação e um dialogo entre a marca e o consumidor, serão o grande desafio para as marcas e as agências. No caso de Portugal, teremos certamente, limitações fruto da retração nos investimentos na comunicação. As agências terão que ser mais assertivas nas suas propostas e procurar soluções de baixo custo. Cabe às agências portuguesas adaptarem-se à realidade atual, procurando novos mercados, inovando, e quem sabe, equacionarem fusões entre pequenas agências otimizando recursos e criando massa crítica, reforçando competências para poderem fazer frente às dificuldades, mantendo-se financeiramente saudáveis e comercialmente mais agressivas.
Fonte: Briefing

